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| TAPAS
E CHUTES |
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Depoimento
de Fernando Bizerra Jr, fotógrafo
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| "Eu
estava fotografando a queda da parede da tenda por causa do vento,
quando a arquiteta responsável pediu a um major à paisana que retirasse
os fotógrafos. Os soldados nos cercaram e não nos deixaram passar
para o lado em que estava o resto da imprensa. Por causa disso,
um dos fotógrafos que estava comigo começou a discutir com o major,
que colocou o dedo em sua cara. Eu fiz esta foto e o tal major disse
que eu não estava autorizado a fotografar. |
| Os
soldados partiram para cima de mim e caí no chão imobilizado, no
pescoço, pelo joelho de um deles. Ao mesmo tempo, outros PEs me
acossaram com chutes. Depois de uns minutos com a cabeça virada
para o chão e protegendo a máquina, para que eles não a apanhassem,
me levantaram, deram-me uma gravata e me levaram para uma escada.
Nunca vou esquecê-la, era escura e não sabia para onde me levavam.
Até chegar ao alojamento, eles foram me dando tapas nas costas e
gritando nos meus ouvidos que eu era um filho da puta, que eu ia
apanhar muito e morrer. Eles em ameaçavam e mandavam eu calar a
boca. |
| No
alojamento, achei que a coisa poderia ficar pior. A tropa de choque
entrou no quarto com a gente, me jogaram no chão e pisaram na minha
cabeça e nas costelas. Outros soldados chegaram, trazendo a fotógrafa.
Eles então pararam de me chutar, porque tinha uma testemunha, e
consegui sentar. Mas um soldado, atrás, começou a dizer que ainda
não tinha dado um Feliz Ano Novo para a mãe dele e me deu um tapa
na cara que me derrubou. A fotógrafa também foi agredida. Graças
a Deus, o Luiz Alberto Bittencourt testemunhou a cena e interveio,
nos tirando de lá." |
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Página
15 do Caderno Cidade do Jornal do Brasil, 02/01/2000
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| REPROVAÇÃO
UNÂNIME E PEDIDOS DE PUNIÇÃO |
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"O
fotógrafo estava credenciado. A violência foi uma desautorização
da própria credencial que concederam. A truculência está aí. Quanto
mais chamam a si o aumento de poder, mais diminuem os direitos e
as liberdades civis." Denise Frossard, juíza
"É intolerável. É mais um atentado à imprensa, assim como a Lei
da Mordaça, que está para ser votada. Parece que querem um retrocesso."
Antônio Carlos Biscaia, deputado federal e ex-procurador
de Justiça do RJ
"O fotógrafo tem que registrar queixa, para que haja punição exemplar
não só aos agressores, mas aos mandantes, já que os soldados não
partiriam para a violência se não tivessem respaldo de um superior."
Miro Teixeira, deputado federal (PDT-RJ)
"Fatos lamentáveis como estes remetem ao período da ditadura. O
mínimo que o presidente e as outras autoridades que estavam com
ele deveriam fazer é pedir desculpas publicamente." Cecília Coimbra,
presidente do grupo Tortura Nunca Mais
"Provavelmente o comandante desses homens ainda não sabe que a ditadura
acabou faz tempo. Isto mostra que o despreparo da segurança é absoluto."
Técio Lins e Silva, advogado criminalista e ex-secretário
estadual de Justiça
"É preciso acabar com esta espécie de licença que o Estado tem para
agredir os cidadãos. O presidente declarou que um de seus desejos
para o ano 2000 é ver o fim da impunidade. Espero que ele determine
rigorosa punição." Reginaldo de Castro, presidente da OAB
"Um legado maldito dos tempos da ditadura. Trata-se de um espasmo
autoritário do subúrbio do autoritarismo. Os culpados não devem
ficar impunes." Marcelo Cerqueira, advogado constitucionalista
"É lamentável, porque o Rio está em plena campanha por uma polícia
melhor e este exemplo do Exército não serve a ninguém. Seria bom
algum pronunciamento sobre isso." Zeca Borges, superintendente
Associação Rio Contra o Crime
"O fato é incompatível com o governo democrático de Fernando Henrique."
Gilberto Velho, antropólogo |
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| OAB
CONDENA AGRESSÃO DE JORNALISTAS DURANTE FESTA PARA PRESIDENTE
NO RIO |
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Regina
Terraz, Rosa Costa e Renato Andrade, de Brasília,
publicado no Estado de São Paulo On line
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Nota
da presidência da entidade classifica incidente de "covarde e revoltante
" - O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB),
Reginaldo Castro, condenou ontem a agressão de jornalistas praticadas
por soldados da Polícia do Exército na festa de réveillon, no Forte
de Copacabana, no Rio, de que participou o presidente Fernando Henrique
Cardoso. Castro classificou o fato como "lamentável, covarde e revoltante",
em nota distribuída ontem.
Pouco antes do início da queima de fogos na praia de Copacabana,
ventos fortes e a chuva provocaram a queda de parte da estrutura
do galpão da festa organizada para o presidente. O fato foi registrado
pelos fotógrafos que estavam no local. Irritados, os soldados do
Exército, que respondiam pela segurança do evento, começaram a agredir
os jornalistas. Um dos soldados apontou uma arma para o fotógrafo
Ed Ferreira, do Estado. A repórter Rosa Costa, também do Estado,
foi agredida por um dos militares. O fotógrafo José Fernando Bezerra,
do Jornal do Brasil, foi quem mais saiu ferido.
"No mesmo dia em que o presidente da República revela que seu grande
desejo para o ano 2000 é o fim da impunidade, ocorre ao seu lado
a lamentável, covarde e revoltante agressão a um repórter fotográfico
que apenas procurava exercer com profissionalismo seu trabalho",
observa Castro, na nota.
Segundo ele, Fernando Henrique Cardoso deve punir os soldados envolvidos
no incidente. "O presidente da República poderá dar conseqüência
pratica ao seu desejo determinando a rigorosa punição dos autores
dessa violência." No Rio, contudo, nenhuma autoridade prometeu apurar
o incidente. Na área militar, também niguém quis manifestar-se sobre
caso.
Conflito - Além de ter sido espancado por soldados diante de toda
a imprensa e de alguns convidados, o fotógrafo José Fernando Bezerra
foi levado pelos policiais do Exército até um de seus dormitórios
no forte, onde, segundo contou, continuou sendo surrado. "Um deles
(soldados) me batia reclamando de estar trabalhando", contou o fotógrafo.
Bezerra foi ontem até o Instituto Médico Legal para fazer exame
de corpo de delito. Por causa dos pontapés que levou, o fotógrafo
ficou com o corpo marcado por diversos hematomas.
Desorganização - Preparada pela prefeitura do Rio para ser o maior
acontecimento da virada do ano na cidade, o réveillon no Forte de
Copacabana acabou transformando-se num fiasco. Os organizadores
do evento pecaram em quesitos básicos: discriminação de convidados,
desorganização e falta de segurança.
A segurança em relação ao presidente era totalmente precária. "Quem
entrava de carro, podia até levar uma bomba que ninguém incomodava",
constatou o senador Ney Suassuna (PMDB-PB). Quem passava direto,
com pose de autoridade, tinha passe livre; quem se identificava
para entrar no "galpão presidencial" era barrado.
Pouco à vontade, Fernando Henrique não teve sequer um minuto de
privacidade. Depois de ver a queima de fogos, ele voltou ao salão.
Enquanto participava de uma roda tumultuada de pessoas dentro da
festa, foi pego de surpresa pela falta de luz, por causa da falha
nos geradores. Afastado do grupo por seus seguranças, o presidente
sentou numa das mesas com a família para ceiar. Mesmo assim, não
teve sossego. Foi interrompido muitas vezes por convidados que queriam
cumprimentá-lo, tirar fotos e pedir autógrafos. Logo depois do jantar,
por volta de 1h50 da madrugada de sábado, ele deixou a festa debaixo
de guarda-chuva, partindo de helicóptero com a primeira-dama Ruth
Cardoso. Ele continua hospedado no Rio, na residência no bairro
de Gávea Pequena, e deve retornar a Brasília amanhã à tarde. |
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| FH
PEDE PUNIÇÃO POR AGRESSÃO A FOTÓGRAFO
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Por
Aydano André Motta e José Augusto Gayoso,
jornal O Globo, 02/01/2000
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O
presidente Fernando Henrique defendeu a punição dos responsáveis
pela agressão ao repórter fotográfico Fernando Bizerra Jr, do "Jornal
do Brasil", por soldados da Polícia do Exército, que aconteceu por
volta das 22h, no Forte de Copacabana. O tumulto aconteceu antes
da chegada do presidente, mas ele não se furtou a dar sua opinião.
- Não fui informado, mas se agrediram devem ser punidos - comentou
Fernando Henrique, mantendo, porém, sua postura otimista. - Vamos
falar de coisas positivas, coisas boas, para frente.
O governador Anthony Garotinho, que chegou à festa momentos após
o fotógrafo ter sido imobilizado, espancado e ter seu equipamento
destruído por 20 homens da PE, usou a agressão como argumento para
condenar a presença do Exército nas ruas. - Fui criticado ao me
posicionar contra o Exército nas ruas para combater o tráfico. Ele
é treinado para atacar. Se aconteceu isso com um jornalista, imaginem
como seria com o povo - sustentou ele.
O prefeito Luiz Paulo Conde, que foi aos militares tratar da liberação
do fotógrafo, detido numa sala do forte, disse ter pedido esclarecimentos
sobre o que chamou de "cenas lamentáveis" e pediu desculpas "em
nome do Rio" ao jornalista. Os militares procurados para comentar
o fato não quiseram falar. O presidente da OAB, Reginaldo de Castro,
condenou a agressão ontem, em nota oficial. |
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