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A
AGRESSÃO BOÇAL E GRATUITA DA POLÍCIA DO EXÉRCITO
BRASILEIRO AOS FOTÓGRAFOS CREDENCIADOS NO RÉVEILLON DO
FORTE COPACABANA MARCA O INÍCIO DO SÉCULO XXI DE MANEIRA
SOMBRIA
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por
Andre Arruda
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| A PE tem histórico de tortura. | ||||
| Nos anos de chumbo da ditadura, o temido quartel da polícia do exército, na rua Barão de Mesquita, na Tijuca, Rio de Janeiro, era o lugar de procedimentos bárbaros de investigação executados pelo estado brasileiro na época. Três décadas atrás, choque elétrico, pau de arara, cadeira do dragão, entre outros, eram os métodos usuais e permitidos pelo estado de direito - ou a ausência deste - neste país. | ||||
| Seguindo uma lógica diabólica, não espanta que o fotógrafo do JB, Fernando Bizerra Jr., tenha sido, sem motivo algum, detido junto com Sheila Chagas, fotógrafa freelancer contratada pela editora Abril, levados para uma sala no forte de Copacabana e submetidos a mais agressões cometidas pelos soldados da PE numa noite que deveria ser de alegria e festa, como todas as noites de ano novo deveriam ser. É a ética aparente do exército brasileiro ou sendo otimista, de parte dele: arbitrariedade, confinamento, truculência. Um soldado age apenas por ordem superior. Na cadeia de comando do revéillon presidencial, um oficial ordenou esta violência, o que é gravíssimo. O fotógrafo Marcelo Sayão, do O Globo, teve seu flash quebrado e sua lente 28-70 danificada, além de sofrer agressões. | ||||
| A
grande pergunta seria qual o real motivo da violência, que teria sido
ordenada por uma arquiteta ou chefe de cerimonial, temerosa que a imprensa
registrasse a simples imagem de uma tenda derrubada pela garoa e pelo
forte vento que assolou a cidade e que por um capricho natural, parou
momentos antes dos fogos. A pergunta ainda não cala quando sabemos que
uma civil teria ordenado ( ! ) aos militares que impedissem a imprensa
de trabalhar. O que se tira daí? Um grande ponto de interrogação. Desta vez o exército brasileiro se omitirá? do alto da sua tradicional belicosidade verde oliva nem um pedido de desculpas? ou ressarcimento material e moral aos agredidos, previsto em lei? ou serão os jornalistas ''inimigos'' ou ''não passam de um bando de comunistas agitadores''? outra bomba do Riocentro ? ou em área militar qualquer um ''pode entrar na porrada''? A cúpula do Comando Militar Leste não deve e não pode aprovar tal atitude. |
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Seria bom acreditar que a era ditatorial militar brasileira foi sepultada no último dia 25 de dezembro do século passado, no cemitério do Cajú, no Rio, junto ao cadáver daquele general que preferia cheiro de cavalo ao de gente. |
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