RJ, 22/04
Fotógrafos baianos integram programação dos 500 anos em São Paulo
   
 

O Quê: Mostra Fotográfica - O Negro de Corpo e Alma
Quando: de 23 de abril a 7 de setembro
Onde: Pavilhão Manoel da Nóbrega - Ibirapuera

  A programação oficial dos 500 anos do Brasil prepara uma mega exposição de artistas brasileiros no Ibirapuera, em São Paulo. O evento tem a dimensão de uma Bienal, e estará reunindo pintores, escultores e fotógrafos, para mostrar suas visões do Brasil 500 anos. Para compor uma exposição de fotos, que tem como tema O Negro de Corpo e Alma, o baiano Emanuel de Araújo, convidou quatorze fotógrafos, cinco deles vem da Bahia.
Os fotógrafos baianos Bauer Sá, Adenor Gondim, Lita Cerqueira e Carla Osório, além de Fábio Domingues, carioca que aportou há pouco tempo em terras baianas, integram o time de convidados para mostra. Em comum eles tem os seus olhares voltados para o universo afro brasileiro. A diferença está na abordagem, na técnica e no estilo de cada um. Juntos eles vão mostrar a cara da Bahia negra num momento histórico e polêmico para todo o país. site
 

Lita Cerqueira, Adenor Gondim, Fabio Esteves, Bauer Sá e Carla Osório.
 
 
O fotógrafo Bauer Sá, um velho conhecido dos baianos, retrata com a sua linguagem poética os traços da africanidade presentes no negro brasileiro.Com imagens produzidas em estúdio fotográfico Bauer, através dos milagres que a câmera escura pode operar, transforma pessoas em divindades. Um trabalho extremamente autoral, mítico sensual e político.
Outro fotógrafo bastante conhecido por suas celebres imagens da Irmandade de Boa Morte, é o baiano Adenor Gondim. Para o aniversário do Brasil, ele preparou imagens inéditas da Irmandade, que congrega as senhoras negras devotas da Nossa Senhora da Boa Morte. Seu engajamento fotográfico lhe rendeu um grandioso acervo em quinze anos de dedicação a esse patrimônio vivo da humanidade.
Lita Cerqueira retratou personagens do cotidiano. Ela percorreu feiras do interior Bahia, ruas e praças da velha São Salvador, em busca de instantâneos de homens, mulheres e crianças. O gosto pelo cotidiano Lita herdou do cinema, com quem trabalhou com grandes nomes como Glauber Rocha, e da sua produção de cartões postais que circulam por vários países mostrando o que o Brasil tem de melhor, a sua gente.
A repórter fotográfica Carla Osório retornou para Bahia há cerca de um ano e meio, onde vem desenvolvendo um trabalho de documentação fotográfica sobre religiosidade afro-baiana. Para esta mostra ela trás um ensaio fotográfico com crianças pertencentes das comunidade terreiros como o Ilê Axé Opô Afonjá, Ilê Axé Jitolu e Gantois. Nas imagens as crianças são apresentadas como os herdeiros desta cultura ancestral africana no Brasil.
 
Fotógrafo de moda, do eixo Rio São Paulo, Fábio Domingues escolheu pessoas comuns estudantes, domésticas, secretárias , músicos para viverem seus minutos de fama. O carioca, que escolheu Itapuã para morar e se inspirar, aproveitou para utilizar, além do estúdio fotográfico, os belos cenários da bairro, como a lagoa do Abaeté. O resultado é um trabalho ousado com corpos negros nus e almas expostas.
O curador da mostra, o fotógrafo carioca Water Firmo, considera este trabalho uma referência na fotografia do negro sobre o negro, sendo assim está sendo preparado um catálogo de 360 páginas reunindo imagens e textos. " A pretensão do caminho a se descortinar é, sobretudo, abrir o cofre do olho negro do fotógrafo homem/ mulher afro-brasileira, e olhar como ele vê a si mesmo, depurando ou não a sua própria imagem", diz ele.