Macau
por Flávio Rodrigues

Na paisagem urbana da ásia comunista, um pouco de ocidente 

 

Sem visto e sem vacina, por essas terras asiáticas, com amores quase febris, num sol de quase maio, eu vou... A música de Caetano não me saía da cabeça e me acompanhou durante todo o tempo. Após escala de um dia na ensolarada Lisboa compartilho de uma mesma emoção com meus companheiros de viagem. Apesar do conforto da primeira classe do Airbus da Tap, a viagem é longa e a taquicardia inevitável. Dezessete horas de vôo, via Bruxelas, provocam na viagem a favor do fuso, o indesejável efeito do "jet lag". Cheguei a Macau moído de cansaço e totalmente emocionado com a perspectiva que se avizinhava. Afinal de contas eu estava do outro lado do mundo! Carregava comigo a impressão que iria para uma terra portuguesa, com caras conhecidas e expressões familiares. Lêdo engano, afinal aquele lugar era mesmo na China!

 

O NOME É pomposo: Cidade do nome de Deus de Macau, cujo pequeno território, de apenas 18 quilômetros quadrados, foi doado aos portugueses em 1557 em reconhecimento pela ajuda aos chineses no combate ao pirata Chang Tsé Lao, e cuja soberania foi reconhecida três séculos mais tarde, em 1887. O presente compreendia a península de Macau e as ilhas de Taipa (onde está o moderníssimo aeroporto internacional) e Coloane.

OS "TOURS GUIDÉS" sempre balizam o viajante e a sensação de liberdade é invariavelmente capenga. Eu queria me misturar ao povo e descobrir as coisas sozinho, sem lenço e sem documento... De novo Caetano perfilando minhas idéias... Consigo escapar e me perder nas ruas de Macau. Ai percebo que, ainda que a arquitetura tenha traços fortes da origem portuguesa, a massa tem o olho puxado e só fala chinês. Embora simpáticos são um pouco arredios quando percebem que são fotografados, não fogem, mas dissimulam envergonhados.

 
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