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Se
o jornalista Tim Lopes estivesse a serviço de um jornalismo sério,
certamente ele ainda estaria vivo e nós, leitores, mais bem informados.
Repórter não é polícia e reportagem investigativa
em nada se assemelha à missões de agentes secretos.
Uma
matéria séria dispensa imagens bombásticas. Coletar
informações não implica em grampear telefones,
empregar câmeras secretas, entre outras atividades. Com um trabalho
a médio prazo e uma coleta de dados eficaz, pertinente e bem
concebida, uma série de entrevistas com traficantes, policiais,
autoridades poderia resultar numa matéria mais explicativa e
menos sensacionalista. Todo profissional deve se identificar, obter o consentimento daquele
que será fotografado e/ou filmado qualquer que seja a situação.
Com algum tempo de trabalho o repórter pode obter informações
valiosas de um traficante e até mesmo fotografá-lo com
o seu consentimento.
Em
resumo, um jornalismo inteligente dispensa mortes inúteis. A
REDE GLOBO DE TELEVISÃO quer sensacionalismo e colocou um profissional
na linha de tiro e ele - Tim Lopes - ganhou o seu. Lamento
pela morte do Tim Lopes e acuso a REDE
GLOBO DE TELEVISÃO
de ser criminosa por colocar deliberadamente um profissional, seu funcionário, em situação de clandestinidade e com risco de vida para
que ela ganhasse alguns pontos no IBOPE. Isso não é jornalismo.
Lembra-nos, pelo contrário, das arenas romanas - nas quais o
público se deleitava com feras e pobres coitados expostos como
boi de piranha.
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