| Fotojornalismo
distribuido gratuitamente na Web Por Alexandre Gazé Filho |
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Agências de fotografia não devem existir para massagear o ego dos fotógrafos. Quando de repente imaginávamos que já havíamos visto de tudo acontecer no que se refere ao freqüente desrespeito à profissão de fotojornalista, eis que surge mais uma novidade. E desta vez, ela é grave. |
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Criada recentemente, a agência de fotografia do Paraná chamada Fotopress (http://www.fotopress.com.br), está distribuindo gratuitamente fotos de conteúdo jornalístico na rede. É um contrasenso que uma empresa que se intitula como "a primeira Agência de Fotojornalismo Online do Paraná, com trabalhos requisitados nos mais importantes centros", simplesmente canibalize o mercado distribuindo gratuitamente um material de extrema importância nos jornais e revistas, nacionais e internacionais, que são fonte de sobrevivência de fotógrafos contratados. Tal procedimento descaracteriza um mercado ainda incipiente e cria uma cultura nefatas para a categoria, na medida que intensifica a gratuidade na Internet. |
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Inserida em um mercado extremamente exigente, cuja sobrevivência tem se revelado cada vez mais difícil, a agência Fotopress ao distribuir gratuitamente o produto de seus fotógrafos, se lança em um caminho perigoso e cujas consequências são ainda imprevisiveis. Neste momento, e diante de tal agressão ao fotojornalismo nacional, é de bom tom que haja uma postura crítica por parte do Sindicato dos Jornalistas de Curitiba, exortando a agência distribuidora no sentido que reveja seu projeto, que, em última análise, desmoraliza e enfraquece uma tênue linha de mercado que adveio com a Internet. |
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Assim se apresenta a Fotopress: "Nossos profissionais estão sempre com suas câmeras focadas onde o fato acontece. Para nós, fotografar, às vezes, pode ser uma profissão de risco. Mas, acima de tudo, fotografar é uma missão, cujo resultado é o prazer de fazer bem feito, com ética e qualidade". Como ousa a Fotopress falar de ética, se está faltando ao respeito com profissionais que fazem da rotina diária de registrar os fatos, o seu meio de vida? Se a moda pega, em pouco tempo os donos dos jornais começarão a fazer cortes em seus staffs e a terceirização sem critério se implantará. |
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É de vital importância para o enriquecimento e a consolidação do fotojornalismo tercerizado no país, que haja comércio formal, com compra e venda. Isso fortalecerá um mercado que tende a crescer. Assim, é questão de honra que a Agência Fotopress venha a público e que esclareça os critérios estabelecidos para a distribuição gratuita do material, já que em seu web site o acesso à informação não é possível, pois há as rubricas "como usar" e "condições de uso" ainda se encontram em construção. |
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Alexandre
Gazé
é fotógrafo e vive no Rio de Janeiro |
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