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que a Corbis fez com a Sygma (ou, nós tivemos que destruí-la para salvá-la. de Paris, por Allan Tannenbaum tradução de Mariana Rodrigues |
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Quando a corporação Corbis de Bill Gates comprou a Sygma no ano passado, nós os fotógrafos da Sygma estavamos cautelosamente otimistas que o longo declínio de nossa agência teria fim. Os problemas financeiros de Sygma tinham afetado nossa renda, nossas oportunidades e nossa moral, mas ainda assim nós estávamos esperançosos que seriam investidos os recursos que Corbis tinha, para restabelecer na Sygma sua glória anterior. No mês de julho de 1999, me encontrando com Tony Rojas (um dos executivos da Corbis), nos foram prometidas muitas melhorias, como ser pago imediatamente ou até mesmo se uma publicação deixasse de comparecer com o pagamento. Claro que ele mencionou um novo contrato e que a divisão seria 60/40 a favor de Corbis Sygma, a nova entidade. Naquele ponto ele estava informando que nós fotógrafos não teríamos mais a costumeira divisão de 50/50. Eu expliquei ao Tony que muitos de nós haviamos ajudado na construção da Sygma com nosso trabalho duro, e que criaramos uma reputação que ele poderia verificar nos documentos da agência. David Turnley resolveu nos contar como a Corbis era maravilhosa. Tony nos impressionou com seu discurso direto e isso nos deixou esperançosos. Logo depois disso nós fomos convidados ao escritório de Corbis na 902 Broadway para comer, beber, e fazer uma excursão. Nós pudemos ver o número vasto de gabinetes brilhando de novos, computadores e trabalhadores que a Corbis tinha enchido em seus dois andares. Eu perguntei para Tony Rojas o que a Corbis considerou ter comprado quando adqüiriu a Sygma - os arquivos e o que mais? Ele respondeu que compraram todo o equipamento de escritório e mobília, como também os direitos de acesso às fotografias. Eu lhe perguntei por que só a agência recebia pelo direito de acesso às fotos e não os fotógrafos cujos direitos autorais estavam sendo acessados. Ele não teve resposta alguma. Eu também lhe pedi que nunca mais se referisse a nós como "fornecedores contentes". Alguns de nós fomos encorajados pela divulgação da Corbis na imprensa em 3 de agosto de 1999, que David Turnley "iria aplicar suas perícias para a administração dos fotojornalistas da Corbis Sygma, que coletivamente desenvolvem perspectivas constrangedoras nas notícias de hoje e refinam a visão editorial para a organização". E que "ele conduziria um time de fotógrafos e dirigirá a próxima fase de criação de fotografia-composição, construindo sinergias entre o fotojornalismo tradicional, a televisão e a Internet". Desde que eu era um filmmaker da graduação e vendia vídeos de notícias às cadeias de televisão, eu via isto como uma grande oportunidade para se ramificar fora em uma direção nova. Eu até conferi o horário para o próximo Seminário de Platypus. Les Stone e eu ambos fomos assistir ao David sobre projetos de jornalismo digital, mas ele deixou claro pra nós que os documentários de Corbis não estavam interessados em qualquer fotojornalista da Sygma. A primeira indicação que algo estava seriamente errado foi a tentativa da Corbis de empurrar um contrato para os fotógrafos da Sygma em Paris. Quatro executivos da Corbis passaram uma semana em Paris, trazendo com eles um contrato seguindo a lei norte-americana, não a francesa. Ele continha uma cláusula que determinava que os fotógrafos possuiriam os direitos autorais para suas fotografias, mas que a Corbis registraria mudanças, como correção de cor, cortes e retocando até chegar às imagens scanneadas digitalizadas. As mudanças seriam registradas! Como você separa as mudanças da imagem? Todos sentiram que esta era a porta pela qual a Corbis tentaria agarrar os direitos das nossas imagens e os fotógrafos em Paris claramente discordaram do contrato. A Corbis distorceu o incidente justificando que eles encontraram o grupo errado em Paris com o contrato errado. Esta explicação é irracional e lhes faz parecerem ridículos. Notando
o problema que tinham, os executivos da Corbis tentaram escutar alguns
dos fotógrafos que expunham suas preocupações. Eu me encontrei com Leora
Kahn e Peter Howe para discutir a situação, e conversei ao telefone
com Steve Davis. Eu expliquei a Davis que no passado a Corbis comprava
coleções, mas com a Sygma ele estava comprando também nossas
vidas tinha comprado vidas, já que a relação entre um fotojornalista
e uma agência é muito orgânica. Eu tenho certeza que ele não entendeu
como nós desenvolvemos e co-produzimos freqüentemente histórias
de um modo mutuamente benéfico. Em uma reunião que eu tivemos após
a apresentação de
seu contrato totalmente unilateral em Nova Iorque, eu disse que os fotógrafos
consideravam absurda a tentativa da Corbis de nos cobrar por coisas
previamente prometidas gratuitas. Davis me falou que se nós não
confiássemos neles, não teriamos opção. Em outras
palavras, se você não gosta da coisa dessa maneira, pode partir. Eu
achei isso arrogante e desrespeitoso, e ele um fotógrado nada
amigável. Apesar de sua impertinência, eu continuei o diálogo e insisti
que ele escutasse as idéias e opiniões dos fotógrafos. A resposta para
uma pergunta empresarial que eu propus foi, "a direção da empresa é
royalty-free". Sobre a compra dos direitos para ter acesso aos arquivos
dos fotógrafos, ele disse simplesmente "eu já ouvi isto antes".
Ele disse que Corbis não queria co-produzir nenhum projeto jornalístico.
Ele acrescentou que a Sygma não mais existia como uma entidade legal.
A partir desse momento, eu percebi que a Sygma que eu conhecia não
existia mais. Eu vim para a Sygma há quase vinte anos com minhas fotos de John Lennon e Yoko Ono tiradas para o SoHo News. Quando o jornal fechou em 82 eu fui trabalhar na Sygma em tempo integral, e tive a chance de mostrar meu trabalho cobrindo notícias internacionais. Então, após todos esses anos, partir não foi uma decisão fácil, mas eu tive que tomá-a, a agência fora destruída. Desde que eu parti, descobri que há muitas opções, com agências que são administradas em uma escala mais humana, com uma base mais pessoal, dirigidas por pessoas que respeitam fotografia e fotógrafos. Nas revistas há muitos que não gostam do modo como a Corbis negocia, e que gostam de trabalhar diretamente com fotógrafos. A Internet é tão acessível a fotógrafos individuais quanto a Corbis. Haverá novos alinhamentos, organizações e oportunidades por este tempo de fluxo. Os doutores da Corbis inferem que os fotógrafos que estão insatisfeitos com a Corbis não querem entrar na era do digital. Muitos de nós temos usado computadores durante anos - eu estou conectado a Internet desde 1985. Nós somos bem versados no scaneamento e envio de arquivos digitais fotográficos, trabalhamos com máquinas fotográficas digitais e usamos a Internet para tudo. Nós, fotojornalistas, sempre fomos adaptáveis - só não queremos nos adptar a nossa própria extinção. |
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| Corbis
Sygma L'Association des Photographes de Sygma 74 bis rue Lauriston 75016 Paris FRANCE |
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Artigo de Allan Tannenbaum para The Digital Journalist, ex fotojornalista
da Sygma. Enviado de Paris por Antonio Ribeiro, tradução
de Mariana Rodrigues
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