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Em fevereiro
e março deste ano expus meu trabalho "O Guardador" na Casa de Portugal
em São Paulo. Tinha um interesse específico em estar devolvendo à comunidade
portuguesa minha leitura do poema "O Guardador de Rebanhos", de Fernando
Pessoa, por Alberto Caeiro. Além disso, um fator pessoal - meu pai era
português - transformou esta exposição em uma homenagem minha a ele.
As exposições na Casa de Portugal são, na verdade, organizadas pelo
Polo Instituto Camões que é um órgão vinculado diretamente ao Governo
Português. E têm o patrocínio do Banco Bandeirantes.
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Até aqui
tudo bem. Acertei com a pessoa responsável pelo Camões a apresentação
deste trabalho no final do ano passado para o mês de fevereiro de 2000
assim como que a posse da obra seria minha e não do referido Instituto.
Muito bem: terminada a exposição na Casa de Portugal, ela foi para a
Galeria do Banco Bandeirantes no centro de São Paulo sem que houvesse
qualquer consulta prévia por parte do responsávei pelo Instituto Camões.
Fato consumado, fui no dia seguinte da abertura, ao Banco verificar
como haviam montado o trabalho. Notei a falta de duas imagens. Perguntando
aos funcionários do Banco, soube que haviam caido e que os vidros tinham
quebrado, porém nenhum dano ocorrera às imagens. Enfim, acidentes acontecem...
Disseram-me que haviam encaminhado as imagens para um moldureiro a fim
de serem recuperadas.
Muito bem: terminada a expo no banco, liguei para a Casa de Portugal
para ir buscar as imagens. O funcionário de lá disse-me que as imagens
pertenciam a ele. Expliquei-lhe o que havia sido acordado com a responsável
pelo Camões e que a posse era minha. Disse-me que estavam embaladas
para irem a outras cidades, etc e tal.
Quando fui, finalmente recuperar o trabalho - que estavam sem nenhuma
proteção - seguiam faltando as duas imagens. Depois de muitos telefonemas,
emails para o Camões, para a Embaixada em Brasília, consegui recuperar
as referidas imagens. Totalmente danificadas. Estão aqui, para quem
quiser ver, cheias de cacos de vidro grudados na emulsão, arranhadas
e, pasmem, com marcas de que algum objeto foi apoiado sobre uma delas.
Quanto as outras molduras, cerca de 30 % apresentam danos.
Agora, por que caíram? Porque, no Banco Bandeirantes, elas foram, pasmem
novamente, presas à parede com fita de dupla face!!!!! Restam pedaços
em algumas molduras. A estrutura de arame que existia para que fossem
corretamente penduradas na parede havia sido removida. E quanto as responsabilidades?
Ninguém as assumiu, oficialmente, até o presente momento. Além da questão
da integridade do trabalho, desapareceu o livro de assinaturas e comentários
sobre o trabalho. Livro que eu levei, ingenuamente para a Casa de Portugal
e que continham os comentários quando da expo no MIS-SP no final do
ano passado. Um livro que passa a ser parte integrante do trabalho.
Ali estão sugestões, críticas e elogios que interessam única e exclusivamente
a quem expõe.
Importante salientar que não é um caderno com espirais, é um livro ata,
desses enormes que não ficam desapercebidos em canto algum. Até o presente
momento, nenhuma consideração por parte das referidas instituições.
O que deixa claro que o desrespeito, falta de consideração e descaso
"correm soltos" naquele prédio. São muitas as perguntas que ficaram
no ar. Além da certeza da total incompetência daqueles que ali trabalham,
ou trabalharam (um dos responsáveis, com quem acertei tudo, já não trabalha
mais ali, apesar de manter estreito vínculo com os que ficaram) Há dias
em que acordo com um profundo desgosto e é porisso que resolvi divulgar
o ocorrido para que os colegas, caso exponham seus trabalhos no Banco
Bandeirantes ou na Casa de Portugal, via Instituto Camões fiquem super
atentos. Que acompanhem a montagem e desmontagem do trabalho e que exijam,
com papel assinado, que qualquer translado do trabalho seja previamente
comunicado a fim de se preservar a integridade do trabalho.
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