
foto: Paulo Whitaker/Reuters |
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A agressão
boçal e gratuita da Polícia do Exército Brasileiro
aos fotógrafos credenciados no Réveillon do Forte
Copacabana marca o início do Século XXI de maneira
sombria.
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| A PE
tem histórico de tortura.
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Nos anos de chumbo
da ditadura, o temido quartel da polícia do exército, na rua Barão
de Mesquita, na Tijuca, Rio de Janeiro, era o lugar de procedimentos
bárbaros de investigação executados pelo estado brasileiro na época.
Três décadas atrás, choque elétrico, pau de arara, cadeira do dragão,
entre outros, eram os métodos usuais e permitidos pelo estado de
direito - ou a ausência deste - neste país.
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Seguindo uma lógica
diabólica, não espanta que o fotógrafo do JB, Fernando Bizerra Jr.
tenha sido, sem motivo algum, detido junto com Sheila Chagas, fotógrafa
freelancer contratada pela editora Abril, levados para uma sala
no forte de Copacabana e submetidos a mais agressões cometidas pelos
soldados da PE numa noite que deveria ser de alegria e festa, como
todas as noites de ano novo deveriam ser. É a ética aparente do
exército brasileiro ou sendo otimista, de parte dele: arbitrariedade,
confinamento, truculência. Um soldado age apenas por ordem superior.
Na cadeia de comando do revéillon presidencial, um oficial ordenou
esta violência, o que é gravíssimo. O fotógrafo Marcelo Sayão, do
O Globo, teve seu flash quebrado e sua lente 28-70 danificada, além
de sofrer agressões.
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A grande pergunta
seria qual o real motivo da violência, que teria sido ordenada por
uma arquiteta ou chefe de cerimonial, temerosa que a imprensa registrasse
a simples imagem de uma tenda derrubada pela garoa e pelo forte
vento que assolou a cidade e que por um capricho natural, parou
momentos antes dos fogos. A pergunta ainda não cala quando sabemos
que uma civil teria ordenado ( ! ) aos militares que impedissem
a imprensa de trabalhar.
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O que se tira
daí? Um grande ponto de interrogação. Desta vez o exército brasileiro
se omitirá? do alto da sua tradicional belicosidade verde oliva
nem um pedido de desculpas? ou ressarcimento material e moral aos
agredidos, previsto em lei? ou serão os jornalistas ''inimigos''
ou ''não passam de um bando de comunistas agitadores''? outra bomba
do Riocentro ? ou em área militar qualquer um ''pode entrar na porrada''?
A cúpula do Comando Militar Leste não deve e não pode aprovar tal
atitude.
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Seria bom acreditar
que a era ditatorial militar brasileira foi sepultada no último
dia 25 de dezembro do século passado, no cemitério do Cajú, no Rio,
junto ao cadáver daquele general que preferia cheiro de cavalo ao
de gente.
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Andre Arruda
é
fotojornalista
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