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PHOTOSYNTESIS. No dia 18 de dezembro de 2001, ocorreu a 46ª
edição do Prêmio Esso de Jornalismo. Eu gostaria
que você se apresentasse, falasse um pouco de sua trajetória
enquanto jornalista e conseqüentemente como foi a sua entrada
na direção do Prêmio Esso e contasse algumas
passagens interessantes.
RUY PORTILHO. Eu tenho 58 anos, 20 dos quais
passados dentro de redações de jornais, entre as
quais a do jornal O Estado de São Paulo, onde permaneci
durante 14 anos, 5 dos quais, chefiando a redação
da sucursal aqui no Rio de Janeiro. No final da década
de 80, passei da redação para assessoria de imprensa
da Esso. Fui o primeiro assessor que a Esso teve depois de findado
o período de intervenção dos militares. Logo
em seguida, saí da Esso para um cargo de diretoria de comunicação
de duas grandes empresas, e logo depois decidi que iria montar
a minha própria agência de comunicação,
me voltar para tarefas de assessoria de uma maneira mais direta,
mais empresarial. A partir disso, fui colecionando clientes, e
entre as contas, talvez uma das primeiras contas e que se mantém
até hoje, é a conta do Prêmio Esso de Jornalismo.
Estou com ela desde 1992 e no ano que vem, completarei 10 anos.
Bom, nesse período, nós fizemos várias alterações,
algumas bastante profundas no programa. Quando nós assumimos
a coordenação externa do Prêmio Esso de Jornalismo
- você falou em direção, na verdade é
coordenação - o Prêmio estava na faixa das
300 a 400 inscrições, e a partir dessa série
de mudanças que foi introduzida no programa, não
só a aceitação - o Prêmio sempre teve
uma credibilidade muito grande no meio - mas o desejo de participação
dos profissionais aumentou muito. Hoje nós estamos na faixa
das 1100 inscrições, praticamente triplicando nesse
período.
Dentre as mudanças que foram introduzidas, talvez uma das
mais recentes, e que contribuiu também para despertar o
interesse ainda maior da categoria na participação
do Prêmio, está uma mudança sugerida por vocês
do Photosyntesis. O assessor de imprensa da Esso, Guilherme Duncan,
captou muito bem, levou adiante, e até de uma certa forma
introduziu uma mudança no regulamento para poder aproveitar
ainda melhor essa mudança que vocês sugeriram, que
é justamente a de promover a eleição da foto
vencedora não através de uma comissão restrita,
mas sim através de um colegiado. Hoje esse colegiado conta
com 45 jurados, a imensa maioria diretores de fotografia de publicações
no Brasil, alguns representantes de associação de
classe, principalmente ligadas à fotografia. Essa fórmula
vem se revelando bastante adequada e vem despertando interesse
não só dos participantes, como dos fotógrafos
- as manifestações por parte destes que me chegam
até agora são de que essa fórmula obteve
êxito. E é uma coisa que pretendemos manter, talvez
até ampliar esse colégio no futuro. Nós temos
45 membros e a idéia é talvez chegar aos 50, 55,
ir talvez aumentando ano a ano... A fotografia tem uma categoria
especial dentro do Prêmio Esso de Jornalismo, porque todas
as outras categorias têm três trabalhos finalistas,
mas a fotografia, a partir desse sistema de escolha do vencedor
por um colegiado de 45 jurados passou a ter cinco fotos finalistas.
Isso é feito também para evitar que a comissão
de seleção fique com poder muito grande de restringir
o material inscrito a um número pequeno de trabalhos. Então
no futuro talvez ampliemos ainda mais, ao invés de cinco
fotos tenhamos dez.
Isso é só uma idéia, não tem nada
de concreto, mas queremos fazer a coisa da maneira mais democrática
possível, que é o caminho que vocês sugeriram
e que nós estamos trilhando e aperfeiçoando na medida
do possível. O Prêmio Esso continua aberto a outras
sugestões externas por parte do mercado, das pessoas, dos
participantes, dos representantes da categoria.
PHOTOSYNTESIS. Você então reafirma com convicção,
que já há uma ressonância favorável
à mudança do formato da escolha? Você tem
elementos, que comprovam e indicam que a mudança havida
foi uma mudança para melhor?
RUY PORTILHO. Plenamente. Todas as manifestações
que nos chegaram até agora são no sentido de que
a escolha é muito mais democrática. A escolha é
feita por profissionais que lidam com esse tipo de material, que
são os editores de fotografia dos jornais. Eles lidam diariamente
com dezenas, às vezes até com centenas de imagens
que têm que selecionar e levar para editores de primeira
página. São pessoas que estão envolvidas
nessa tarefa, então eles quase que incorporam essa tarefa
diária de julgadores, de selecionadores e quando eles transmitem
isso para tarefa de julgar as fotos finalistas, apontar a foto
vencedora, isso sai com muita naturalidade, pois é uma
tarefa feita por um especialista. É o especialista que
está indicando qual é o melhor trabalho daquela
área.
PHOTOSYNTESIS. Em apoio a essa observação
que você faz, eu queria lembrar o seguinte: um outro site
de fotografia, que é muito bom, o Fotosite (de São
Paulo), promoveu uma eleição paralela das fotos
do Esso e seu resultado foi diametralmente oposto ao do júri
oficial. O que é engraçado, e de certa forma está
consubstanciando sua observação, é que esses
45 jurados, editores de fotografia, fotógrafos conhecidos
e de larga experiência votaram nas fotos e no final apresentou-se
um resultado totalmente distinto do obtido na internet. Houve
inclusive um empate. Como isso foi solucionado?
RUY PORTILHO. O regulamento nesse caso indica que temos
que apontar um vencedor, nós não podemos atribuir
um mesmo prêmio para dois trabalhos, nós colocamos
uma cláusula no regulamento, que no caso de empate, a comissão
de premiação do Prêmio Esso é obrigada
a decidir e desempatar.
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RUY PORTILHO. Exatamente. O que é que acontece?
Nós procuramos resguardar nesse novo sistema que você
nos sugeriu, uma característica fundamental do Prêmio
Esso que é o fato de ser um prêmio atribuído
a jornalistas por jornalistas. Nós poderíamos, por
exemplo, levantar essas cinco fotos finalistas na internet e abrir
o leque, mas aí perderia a característica do Prêmio
que vem sendo mantida há 46 anos, que é jornalista
julgando e premiando um colega jornalista.
Isso de certa forma é uma coisa difícil porque o
jornalista é muito crítico quando se manifesta sobre
o trabalho do colega. A fotografia do Prêmio Esso também,
ela tem, ao longo dos anos, desprezado um pouco aspectos técnicos
artísticos, essa que é a grande verdade. O Prêmio
Esso tem se revelado por premiar, por distinguir fotos que registrem
aquele momento único, mas um momento de ação.
Quase sempre a hard foto, quase sempre. Eu acho que só
na ausência da hard foto é que o Prêmio Esso
se volta para premiar outros estilos, mas sempre com um sentido
jornalístico muito aguçado, porque sempre foi um
prêmio de profissionais de jornalismo para profissionais
de jornalismo. E eu acho que quando a gente migrou do modelo de
uma comissão restrita para esse colégio eleitoral
amplo e votação via internet, eu acho que esse êxito
a gente teve, de manter essa característica do Prêmio
que de certa forma está agora ficando muito clara com essa
informação que você está me trazendo,
que eu desconhecia, que é o fato de um outro site ter colocado
as mesmas fotos em julgamento por um colégio eleitoral
mais amplo e sem esse compromisso, vamos dizer assim, interior
que o profissional tem ao avaliar o trabalho do colega.
PHOTOSYNTESIS. Uma outra coisa que eu queria comentar
com você, e dentro dessa ótica que você traçou,
que o conceito, a sintaxe das fotos do Prêmio Esso, a violência
era a imagem prioritária. Sempre, sempre, muita violência.
No ano passado, no Esso, eu votei numa foto, que acabou não
ganhando, mas ganhou nesse ano o Líbero Badaró...
do Domingos Peixoto, do Biguá. Esse ano eu preferi votar
na foto da Crítica, de Manaus, por uma razão muito
simples. Muita gente falou, "Ah, foto da sombra, mulher do
Prodasen". Queria que você comentasse isso. A minha
tese é a seguinte. Eu acho que tem que haver uma perpetração
do documento jornalístico através do Prêmio
Esso, quer dizer, da seleção das fotos e da premiação
do Esso, de um documento que sirva de ícone, que sirva
de símbolo. Eu comentava com alguns amigos que aquela foto
que veio de Brasília, é muito boa, mas também
é muito segmentada, ou seja, aquela senhora, a funcionária
do Prodasen, se você analisar à luz de nós
jornalistas, que lemos jornal, convivemos, vemos televisão,
ela é uma foto muito boa. É uma foto boa para fechar
jornal naquele momento de sufoco. Mas eu acho que ela não
tem, do ponto de vista de seu esplendor, a capacidade de comunicação
e interação que me faria pensar caso eu fosse em
estrangeiro e visse a foto do sujeito que seqüestrou o próprio
filho e o ameça com uma faca. Ou seja, no meu ponto de
observação, eu acho que as fotos decorrentes do
Prêmio Esso, as vencedoras, devem perpetrar um símbolo,
fazer a gente repensar um pouco o mundo em que a gente vive. E
aquela foto que ganhou, contrariamente à foto do Jarder
Barbalho, que é uma foto extraordinária, de certa
forma?
RUY PORTILHO. Tem razão, existe essa característica
que você ressaltou, que é a do documento histórico
retratado naquele momento muito especial no flagrante da fotografia,
isso é uma coisa que o Prêmio Esso tem muito. Se
você parar um pouco para pensar, qualquer uma daquelas cinco
fotos pode ser interpretada dessa maneira. Umas mais, outras menos,
mas você tem aquelas cinco fotos finalistas ali, em situações
absolutamente diversas, mas que são feito um mosaico dos
dramas, das tragédias em que o país se debateu durante
o ano. Você tem aquela violência bárbara daquela
criança da foto premiada, você tem esses episódios
do Senado, do Antonio Carlos Magalhães, que é outro...
Você tem aquele retrato da fome, que é uma situação
em que o país se debate há centenas de anos em maior
ou menor grau numa região ou noutra. Você tem a foto
dos menores subjugados pela polícia depois da rebelião.
Então você tem aquelas coisas da tragédia
brasileira, do drama. Coisas que mobilizam, que mobilizaram nesse
ano a mídia, a população, a sociedade, e
que tão retratadas ali.
PHOTOSYNTESIS. É curioso que haja duas fotos de
contextualização política - ela envolve os
dois ex-presidentes do senado, os senadores Antonio Carlos Magalhães
e o Jarbas Barbalho. Então percebemos um mosaico significativo,
imagens sobre fome, miséria, e muita violência bem
como imagens políticas, quando vemos fotos da casa máxima
da república brasileira, com seus dois ex-presidentes Antonio
Carlos Magalhães e Jarbas Barbalho, em situações
absolutamente fantásticas em termos de documentos jornalísticos.
RUY PORTILHO. E foi um fato essa questão do painel,
que o país acompanhou. Eu acho que nunca se acompanhou
tanto um fato desde a queda do ex-presidente Collor, eu acho que
nunca um fato político chamasse de tal maneira a atenção
da mídia, da população, como nesse caso da
violação do painel do Senado. E de uma certa maneira,
ela acabou se refletindo também no julgamento maior do
Prêmio. O Prêmio Esso de Jornalismo acabou atribuído
a revista Isto É muito também em função
dessa mobilização toda que foi a que reportagem
original que foi publicada na revista acabou provocando e rebocando
- a imprensa foi a reboque da Isto É. Mas isso é
interessante, como também a fotografia não ficou
à margem desse processo. A fotografia refletiu, os fotógrafos
que trabalham lá em Brasília principalmente refletiram
bem esse momento que o país viveu.
PHOTOSYNTESIS. Há diversos jornais digitais na
Internet, como o NO.com, o Observatório da Imprensa e outros.
e que produzem ótimas matérias. Não digo
no sentido do furo, mas crônicas e ensaios, entrevistas.
Eu penso que esse segmento pode ser contemplado com um prêmio
Esso especial, o que que você acha?
PHOTOSYNTESIS. Eu queria parabenizar vocês pelo
novo produto que foi o telejornalismo. É a primeira edição
de telejornalismo que o Esso faz. Por favor fale sobre assunto.
RUY PORTILHO. É a primeira edição,
é uma edição especial, não temos sequer
a garantia da Esso de que vá prosseguir pelos próximos
anos, mas a mobilização do pessoal ligado a telejornalismo
foi tão grande, e também as manifestações
que nós recolhemos são de apoio à iniciativa.
Eu tenho certeza que isso vai ser levado em consideração
pela Esso no momento que ela tiver que decidir se permanece com
a categoria ou se transforma o Prêmio Esso de categoria
especial em categoria permanente. Há anos que nós
tentamos encontrar uma fórmula para atribuir esse prêmio
de telejornalismo, e quando nós lançamos esse ano,
nós fizemos várias consultas a profissionais de
destaque dentro das emissoras de televisão, levando a eles
a idéia de que nós não gostaríamos
no Prêmio Esso de Telejornalismo de premiar produtos, nós
não gostaríamos de premiar um determinado telejornal,
ou uma determinada série veiculada num determinado canal.
Nós queríamos manter no telejornalismo o mesmo princípio
que sustenta há 46 anos o Prêmio Esso de Jornalismo,
que é destacar o trabalho do repórter, do profissional,
da equipe de jornalistas, da equipe de telejornalistas, que esteve
envolvida naquele trabalho, que cujo esforço, cujo poder
de dedicação, coragem, muitas vezes arriscando a
própria integridade, conseguiu revelar um fato, como foi
o fato dessas três matérias finalistas, e acabar
revelando à sociedade aspectos até desconhecidos,
de fatos que ocorrem na sociedade brasileira. Então quando
nós levamos essa idéia para as redes, todas elas
apoiaram Nós queríamos que o Prêmio de Telejornalismo
não fosse igual a outros prêmios de teleojornalismo.
Confesso que nós chegamos um pouco atrasados. As premiações
de telejornalismo já existem há algum tempo dados
por outros programas, mas nós pretendemos que quando nós
chegamos no telejornalismo, nós conseguimos manter a mesma
linha que fez o êxito do Prêmio Esso de Jornalismo,
que é premiar o profissional e não o veículo.
O veículo vai à reboque no trabalho do profissional
que ele contrata, mas o Prêmio Esso é um prêmio
dirigido ao profissional, não é um prêmio
dirigido ao veículo.
PHOTOSYNTESIS. Dentro dessa visão eu queria sugerir
para você pensar um pouco no assunto que é o seguinte:
o registro sociológico, histórico que a imprensa
faz, vai mudando de mídia para mídia. Hoje existe
um segmento no jornalismo muito importante, que está em
absoluto crescimento, que é o jornalismo digital. Eu queria
sugerir um prêmio especial, um prêmio para o webjornalismo.
RUY PORTILHO. Estou pensando nisso já há
algum tempo desde que as grandes agências de notícias
passaram a utilizar a internet para veicular o produto delas.
Nós ainda estamos encontrando algumas dificuldades de como
autenticar a autoria. Acreditamos que pela própria característica
do veículo, muita coisa vai ser julgada em função
da velocidade, da agilidade, do furo, daquele que deu primeiro.
Isso é ótimo, mas nós queríamos ter
certeza de resolver os problemas de autoria, de autenticidade
na autoria. Nós não gostaríamos de por exemplo
(é um problema sério) premiar um determinado trabalho
e depois virmos a ser contestados "Olha, vocês premiaram
um trabalho como tendo sido um grande furo, uma grande revelação,
um fato que nós demos 5 ou 10 minutos antes". Esse
problema da velocidade eu acho que vai ser uma coisa muito presente
no julgamento do webjornalismo e nós precisamos resolver
isso. Enquanto a gente não resolver isso, eu acho que vai
ser difícil a gente lançar esse novo prêmio.
PHOTOSYNTESIS. Mesmo que você tenha matérias
extremamente autorais?
RUY PORTILHO. Não, esse tipo de matéria
não teria problema. Os prêmios especiais da história
do Esso são espécies de balões de ensaio.
A gente examina dentro daquele contexto como é a receptividade
do participante, como os julgadores do comportaram ao examinar
aquela categoria. Enfim, isso tudo é levado em consideração.
A gente acompanha muito de perto todo esse trabalho, justamente
para depois chegar e dizer "olha, essa categoria aqui merece
permanecer". Então, o que eu vou fazer é levar
essa sua sugestão aos organizadores dentro da Esso, essa
idéia de criar um prêmio especial para webjornalismo
e a gente examinar bem de perto como é que os participantes
e os julgadores se comportaram.
RUY PORTILHO. A gente vai ter que examinar isso, que características
seriam marcantes e de que maneira a gente vai poder avaliar o
trabalho do profissional que se dedica a essa atividade.
PHOTOSYNTESIS. Eu estive recentemente na comissão
julgadora do prêmio Líbero Badaró. Este ano
instituíram um prêmio de webjornalismo. Eu fiquei
muito impressionado com o fato pois têm jornais experimentais,
jornais de faculdades, que fazem grandes matérias, e isso
tudo está na Internet. Penso que isso produz uma forte
disseminação do ponto de vista cultural, da notícia,
da história, como você precisou há pouco.
Então, é um segmento tão grande que eu acho
que pode deixar deser colocado no balão de ensaio, como
você falou.
RUY PORTILHO. O Prêmio Esso, na verdade, a gente
às vezes promove gestações demoradas desses
produtos para ver se ele se enquadra dentro daquela característica
que eu ressaltei no Prêmio de Telejornalismo, premiar um
profissional, que sempre foi o foco do Prêmio Esso. E se
a gente chegar à conclusão que é possível
fazer dessa forma também, eu acho que a Esso vai aceitar
essa variante, assim como tem aceitado várias outras no
passado. A direção da Esso tem tido extraordinária
sensibilidade para acolher sugestões que permitiram que
o Prêmio fosse destacado nos últimos anos, que o
Prêmio ganhasse essa credibilidade que tem hoje e se mantivesse
ao longo de 46 anos. Eu estou falando dos diretores atuais da
Esso e de diretores de passado recente que eu conheci, mas tem
alguma coisa de muito especial na Esso que sustenta esse prêmio
há quase meio século. Não é uma coisa
só de pessoas, é uma coisa da própria instituição
Esso que tem essa sabedoria de administrar um programa dessa sensibilidade
e que revela essa extraordinária sensibilidade e esse distanciamento
e ao mesmo tempo esse apoio a um programa que eu acho que tantos
benefícios já produziu junto aos profissionais de
imprensa, junto à categoria.
PHOTOSYNTESIS. É fato que a Esso foi sempre uma
empresa identificada com o jornalismo. Você vê a televisão
de 30 ou 40 anos, o repórter Esso. A Esso está sempre
linkada de alguma forma ao jornalismo. Fale sobre os objetivos
da empresa nesse particular.
RUY PORTILHO. Todas as empresas brasileiras multinacionais
estabelecidas aqui no Brasil, empresas de tradição,
vão fazer no ano que vem 90 anos. A Esso eu acho que tem
mais presença no Brasil do que talvez 98% das empresas
brasileiras. Uma presença extraordinária. E é
uma característica interessante que você ressaltou
esse vínculo com o jornalismo.
PHOTOSYNTESIS. Como você vê a participação
de uma empresa multinacional na produção de um prêmio
tão importante? Houve censura, qual a liberdade de ação?
RUY PORTILHO. A coragem, o destemor dos diretores da empresa
em momentos difíceis da vida no país, onde a censura
era a característica mais marcante da atuação
do governo na imprensa, e aquelas poucas matérias que conseguiam
driblar a censura e eram premiadas pelas comissões. Há
relatos sobre pressões do governo sobre a companhia que
foram formidáveis em determinado momento, e ainda assim,
em nenhum dos chamados anos de chumbo, o Prêmio Esso deixou
de ser conferido e entre elas, há diversas matérias
de nítida contestação ou mesmo de contestação
velada ao processo ditatorial que se vivia. Isso eu acho que está
muito na raiz da credibilidade do Prêmio. Um Prêmio
que passou por esses momentos e a empresa conseguiu sustentar
o programa premiando os melhores, mesmo que essa premiação
desagradasse os poderosos da época (e bota poderosos nisso)...
eu acho que foi a garantia de que esse programa tinha vindo para
ficar 46 anos.
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