com Marcos Bonisson
Balada do corpo solar
 

 

 

 
 

Photosynthesis - Bonisson, inicialmente gostaríamos que você fizesse uma pequena apresentação, sua trajetória, etc.

BONISSON - Ok. Quando tinha 18 anos, fui estudar na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Isto aconteceu em 77. Passei lá quatro anos onde tive praticamente uma formação de Artes plásticas; em 81 estudei gravura, desenho, enfim, disciplinas de artes visuais, entre as quais a fotografia surgiu como uma espécie de epifania nas artes visuais. Eu tive dois grandes mestres na escola, que foram a fotógrafa americana Constance Brenner, que viveu no Brasil, e Alair Gomes, fotógrafo e crítico. Foi aí que aconteceu minha formação inicial com a fotografia.

Fotografia profissional só veio acontecer muito tempo depois, antes só usava a fotografia como meio de expressão. A partir daí, descortina um novo tempo. De 77 a 81 - Parques Lage, de 81 a 91 Nova Iorque. Em Nova Iorque trabalhei com um pouco de tudo.

 
 

Photosynthesis - Vc foi para Nova Iorque com isso tudo planejado?

BONISSON - De forma alguma. Eu tinha como plano passar 3 meses em Nova Iorque, vendo museus e consolidando uma certa curiosidade intelectual sobre arte que eu tinha e achava que lá era o lugar ideal. Fui ficando, acabei me casando e fiquei 10 anos. Vim algumas vezes ao Brasil, mas a maior parte do tempo estava lá.

Photosynthesis
- Nova Iorque funcionou como um desbunde? O start se deu aí?

Na verdade foi uma experiência totalmente sensorial, uma montanha russa sensorial para todo tipo de descoberta cultural. O start do desbunde na verdade começou muito cedo, através da leitura. Havia uma biblioteca muito boa na escola do Parque Lage e eu vivia ali, quando não estava nos ateliers. Lia muito Art News, Flash Arts e outras. Eu tinha profunda admiração pela obra do artista Helio Oiticica, uma fascinação pelo movimento neo-concreto e o projeto construtivista no Brasil; no segmento dos neo concretistas, entre outros o trabalho da Ligia Pappe, do Hélio, o trabalho do Amilcar de Castro. Adorava o trabalho de alguns fotógrafos como Man Ray, Lartigue, Irving Penn. Enfim, alguns grandes fotógrafos que via nessas revistas e que me permitiram perceber que ali estava a minha onda. Nova Iorque serviu para a confirmação dessa visão.

   
 
 

Photosynthesis - Conclue-se que toda a sua formação tem origem portanto nas artes plásticas.

BONISSON - Sem dúvida no cinema e nas artes plásticas. Fotografia aconteceu no Parque Lage. Ela serviu a partir de uma visão de como eu poderia conectar e colar tudo que eu gostaria de fazer em diferentes disciplinas de arte. Isso que me fascinava. Como eu poderia fazer escultura, cinema, pintura e desenho numa coisa só? A fotografia foi com uma epifania visual nesse sentido.

Photosynthesis
- Podemos concluir que a fotografia é arte maior, uma vez que ela absorve tudo?

BONISSON - Eu fiz um trabalho nessa época, chamado Translúcidas. A Constance ficou apaixonada pelo ensaio e o enviou para a Revista Íris que o publicou. A partir daí fui convidado para participar da I Trienal de fotografia do MAM, do qual apenas 6 fotógrafos do Rio de Janeiro haviam sido convidados, e o Miguel Rio Branco ganhou o primeiro prêmio. Isso aconteceu em 1981. Em seguida fui para Nova Iorque, onde meu interesse pela fotografia se expandiu.

 
Photosynthesis - Sua formação técnica já existia quando foi para os EUA?

BONISSON - Ela se consolida em Nova Iorque. Eu achava antes de viajar, que havia pouca coisa no Brasil que me interessasse aprender, no plano técnico. Era uma gente muito pé de chinelo. Eu tive dois grandes mestres de linguagem fotográfica e tive muita sorte com isso. Não me interessava pela parte técnica.
 
 
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