com Sérgio Moraes
por Leonardo Ramadinha

Enchente em Petrópolis, RJ, Fevereiro de 1988.  

 

Botafoguense de carteirinha, 38 anos, mais da metade dedicados à fotografia, Sérgio Moraes é hoje considerado um dos melhores fotógrafos esportivos do Brasil. Filho do fotógrafo José Antônio e irmão da também fotógrafa de moda, Nana Moraes, ele já passou por quase todos os grandes jornais brasileiros e atualmente trabalha no Lance!. Com nada menos do que sete Copas América, duas Copas do Mundo no currículo e arrumando as malas para Sydney, sua 2a. olimpíada, Serginho, como é conhecido, arrumou um tempo no meio do fechamento e contou um pouco de sua história a Photosynthesis.

 
 

Photosynthesis - Você vem de uma família de fotógrafos, teu pai, tua irmã, como foi que tudo começou na família ?

SERGINHO - Meu pai começou como fotógrafo, tarde, aos 30 anos. Ele estudou várias coisas, fez filosofia, direito, um monte de faculdade e de repente resolveu virar fotógrafo. Ele começou fotografando eu aprendendo a andar. A partir daí, foi fotografando, conhecendo fotógrafos e acabou sendo contratado pelo Jornal do Brasil em 64. Em 68, foi para editora Abril e ficou por lá 20 anos, depois saiu e montou um estúdio.

 
 

Photosynthesis - Como a fotografia começou para você ?

SERGINHO - É difícil saber como começou, teve muita influência do meu pai, óbvio.

A gente estava sempre vendo fotografia, sempre teve laboratório na minha casa... Como profissão, eu decidi querer ser fotógrafo aos 17 anos. Fiz alguns cursos de química fotográfica e fui fazer assistência de estúdio para um fotógrafo chamado Zé Rodrigues, que era amigo do meu pai. Ele fazia muita publicidade com criança e eu fazia as fotos de testes.

   
Tourada em Madri, setembro de 1991.
 
 

Photosynthesis - Foi aí que começou a carreira ?

SERGINHO - Dois anos depois de trabalhar com o Zé Rodrigues, comecei a fazer free-lancer para a Exame e Veja e foi aí que a coisa começou a engrenar. Mudamos para São Paulo e nessa época trabalhei pouco tempo na Folha de São Paulo e Istoé. Da Istoé, fui para o JB, no Rio, onde fiquei por 6 anos. Tive uma passagem rápida de uns 8 meses no O Globo e fui para a Reuters em Brasília, onde fiquei 3 anos viajando e fotografando esportes, até vir para o Lance! há 2 anos.

Como foi a passagem pela Reuters ?

Quando trabalhei na Reuters, conheci na Olimpíada de Atlanta dois caras que só fazem esportes. Os dois melhores. Dois canadenses, Gary Hoshorn, que está virando chefão da Reuters, e Mike Blake. Acompanhei o trabalho deles e foi bem legal. O estilo era um caminho que eu já gostava e meio que procurava; foto fechadona mostrando expressão no atleta. Não era nenhuma novidade mas foi uma coisa que eu sempre procurei fazer. Aprendi pra caramba e serviu também até para desmistificar os caras e saber que de vez em quando eles fazem foto ruim também (risos), mesmo sendo os mais feras.

Junior Baiano chora depois da derrota na final da Copa do Mundo, em Saint Dennis, França. Em 12/07/1998 o Brasil perdeu a final para a França por 3x0

O que fez você seguir para o fotojornalismo ?

Desde o início, quando começou a me despertar a fotografia eu ficava vendo as fotos de esporte e recortes que meu pai tinha, guardadas da época dele no Jornal do Brasil. Era o que eu mais curtia, o que mais me tocava. Só de ver as fotos de esportes do JB, sonhava em trabalhar lá. Foi o sonho de vários fotógrafos.

 
 
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