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Alexandre Sassaki
por Arthur Max |
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A foto de Luiz Carlos Santos, que mostra o ex-senador Luiz Estevão sendo atingido por um ovo arremessado por uma manifestante, publicada na edição de 8 de agosto de 2000 na primeira página do jornal carioca O Globo, se tornou polêmica depois que suspeitas de fraude foram levantadas. Photoshyntesis quis saber a posição do editor de fotografia do jornal O Globo sobre o assunto. No bate-papo, Alexandre Sassaki fala ainda de ética, manipulação, credibilidade de outras fotos que também provocaram polêmica no meio da fotografia. |
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Photosynthesis - Qual é a história dessa foto? Sassaki- Era um plantão como qualquer outro, o fotógrafo estava ali a princípio fazer um registro. Quando o Luiz Estevão saiu, naquele tumulto de várias televisões, vários jornais, toda a imprensa cobrindo, apareceu um manifestante que jogou um ovo no cara. |
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Photosynthesis - Você poderia falar um pouco dessa foto, tecnicamente? Sassaki - Não é nada muito elaborado tecnicamente. É o básico da fotografia, flash com velocidade baixa para gravar o fundo, para o flash não ficar chapado no primeiro plano. Foi o tempo da gema e da clara percorrerem uma certa distância. Não tem mistério, isso é simples. A grande sorte que ele deu foi que o ovo bateu em alguma coisa e se espatifou. Na foto você pode ver as duas partes da casca; e a clara se espalhou. O efeito não é pedaço de casca, é a clara. O Luiz Carlos teve a sorte de pegar aquele ovo se espatifando com uma luz de refletor de televisão atrás. É aquela coisa da fotografia: o cara tava lá num ângulo certo, com velocidade certa, o flash calibrado certo, filme correto pra situação, mas o fator sorte é fundamental. Photosynthesis - Essa foto, num primeiro momento, te provocou algum estranhamento? Sassaki - Claro que sim. Você pensa que o negativo pode estar arranhado. Não é comum, é uma coisa curiosa. Você olha e pensa: tem algo errado aí, aconteceu alguma coisa com esse negativo. Principalmente porque é uma foto não foi feita aqui, é uma foto que foi transmitida, eu estou vendo a foto num monitor... Na hora eu liguei pra São Paulo, perguntei se não tinha nenhum arranhão no negativo, e o Brigadeiro me explicou que não, que o negativo era aquilo mesmo, ninguém tinha mexido em nada. Photosynthesis - Você lembra a que hora foi isso? Sassaki- Não lembro. Foi bem tarde, na hora de fechamento apertado, tanto que a gente só conseguiu botar essa foto em segundo clichê, numa página já toda desenhada. Foi num dia que a gente tinha uma história boa, do rei das quentinhas. Era uma história do jornal, o cara tinha sido preso, era um assunto mais forte no Rio. Por isso a foto não subiu, senão a gente tinha dado como a Folha deu, no alto, com mais espaço.
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