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Quantas vezes já não
recebemos propostas do tipo: "Tá interessado em fazer um 'freela' tirando
umas fotos? Mas olha, não vai dar para pagar nada pelo serviço, em compensação
você terá seu nome creditado e conta para seu portfólio, currículo etc.
Que tal ,é um bom negócio!" Ou ouvimos alguém fazer a seguinte proposta:
"Olha tem um jornal que está precisando de umas fotos você poderia ir
lá tirá-las de graça ou com um precinho bem baixo. Isso vai contar para
o seu currículo, vale a pena, vai lá."
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Já presenciei muitas e sempre me questiono: será que realmente isso vale
e pena? É correto? Ético? Quando alguém se submete a esse tipo de "prestação
de serviços" abaixando o preço de sua mão-de-obra, ou pior, fazendo de
graça está, na verdade, estragando o mercado de trabalho existente para
sua profissão. Pode-se até ter um trabalho publicado e isso contar em
seu currículo mas, até que ponto isso é válido se, mais tarde, essa mesma
pessoa (que fez de graça e já não necessita mais correr atrás de um currículo),
for oferecer seus serviços profissionalmente e corretamente cobrados e
escutar coisas do tipo: "nossa isso é muito, da outra vez foi bem mais
barato" ou "se você fez de graça antes porque cobrar tanto agora?" Ou
pior, ser a vítima de um trabalho anteriormente mal cobrado, ou nem cobrado
até, escutando a indignação de um contratante qualquer: "mas, tudo isso!
Fulano de tal em um outro trabalho que precisei nem cobrou nada!"
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A valorização de um profissional e do resultado de seu trabalho só vai
ocorrer realmente quando ele mesmo reconhecer que não pode fazer do fruto
dessa sua mão-de-obra especializada um grande "saldão de preços baixos",
um "quem dá mais" ou melhor menos. O que o mercado de trabalho oferece,
pricipalmente em áreas como fotografia, artes, design, ilustração etc,
tem relação direta com o modo com que o profissional se posiciona dentro
dele. Com o modo como cobra e apresenta seu trabalho.
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Um fotógrafo, ou qualquer profissional que trabalhe como "freela", deve
saber que o preço que coloca no que produz vai influir diretamente na
qualidade da oferta e reconhecimento existente para sua profissão. O trabalho
mal cobrado (ou nem cobrado) repercute em um mercado profissional que
vai taxar por baixo o valor e até a qualidade dessa produção profissional.
A situação piora quando dentro de algumas escolas, faculdades, universidades,
cursos profissionalizantes etc, existe um incentivo a essa postura com
a "desculpa" de que a pessoa está iniciando no mercado de trabalho. Lógico
que existem algumas instituições que valorizam esses estudantes incentivando
e auxiliando-os em como cobrar por seus serviços no momento em que entram
para o mercado de trabalho.
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Para isso existem tabelas de custos profissionais feitas por sindicatos
ou qualquer tipo de entidades de classe. Mas se nem isso for possível
conseguir, sempre existem bons profissionais que podem servir de referência
quando existe dúvida em relação a quanto cobrar. O valor do produto gerado
por qualquer profissional deveria ser seguido, usado e principalmente
respeitado. Seja ele fruto de um trabalho de um fotógrafo ou designer
que, como eu, muitas vezes já escutei a proposta: "já que você sabe fazer
um desenhinho no computador faz um pra mim aí de graça vai". Propostas
desse tipo deveriam não existir e somente assim, sem elas ou ignorando
sua existência, é possível cobrar das pessoas, da midia, do mercado de
trabalho de um modo geral, respeito, ética e seriedade com nossa profissão.
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Marcia Okida é designer e professora
e vive em Santos (SP)
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