OS CRITÉRIOS DO PRÊMIO ICATU
por Claudia Escarlate

Numa época em que discutimos os caminhos da fotografia no novo século, as novas tecnologias e a digitalização de imagens, caberia a um Prêmio de Fotografia como o do Banco Icatu a responsabilidade e o desafio de ser intérprete e guardião da inteireza desta arte, tentando perceber a intimidade daquilo que pretende incentivar.

Porém pôr uma incapacidade de ajustar a visão correta, equilibrada, quer por uma indiferença morna, quer por uma espécie de distração, o prêmio esta provocando polêmica e perdendo a credibilidade entre os fotógrafos brasileiros. Enquanto no dia a dia profissional dos fotógrafos, lutamos bravamente pelos direitos autorais, o Banco Icatu numa displicência arrogante, não prestigia os profissionais da área. O jurí é formado por apenas duas pessoas, por que?

Uma delas é um jornalista de texto, que embora respeitado por todos nós, não nos parece ser a escolha mais apropriada. Como conseqüência, o resultado deste ano é equivocado, pois demonstra confusão entre Artes Plásticas e Fotografia, que embora pareçam semelhantes, são distintas em sua natureza: Fotografar é revelar o mundo real, transmitindo um emblema, um questionamento.

O fotografo domina a arte do olhar enquanto que o artista plástico pode criar imagens a partir de uma "matéria prima", que no caso dos premiados deste ano é a fotografia. Porém, só a verdadeira fotografia faz crer que seu autor esteve diante do objeto fotografado naquele exato instante e só esta, visualmente, questiona e decide o tempo com intuição e espontaneidade, como nos ensina o mestre Bresson.

Mas o descaso com a classe dos fotógrafos não para por ai, até hoje não foi divulgado nem conhecido o resultado dos trabalhos dos profissionais que foram premiados nos anos anteriores com esta bolsa para passar 6 meses em Paris desenvolvendo um projeto pessoal. Tampouco o Banco Icatu se preocupou em divulgar a temática deste Prêmio, que ao que parece é um meio apenas de divulgar o nome do banco como incentivador de atividades artísticas e culturais sem ao menos fazer conhecer aquilo a que se propõe.


É com indignação que a Photosynthesis questiona e quer contribuir para que uma iniciativa de tamanho potencial possa se dar plenamente e com compromisso e responsabilidade.

Claudia Escarlate
é arquiteta e fotógrafa e vive no Rio de Janeiro
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