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Numa época em que discutimos
os caminhos da fotografia no novo século, as novas tecnologias
e a digitalização de imagens, caberia a um Prêmio
de Fotografia como o do Banco Icatu a responsabilidade e o desafio de
ser intérprete e guardião da inteireza desta arte, tentando
perceber a intimidade daquilo que pretende incentivar.
Porém pôr uma incapacidade de ajustar a visão correta,
equilibrada, quer por uma indiferença morna, quer por uma espécie
de distração, o prêmio esta provocando polêmica
e perdendo a credibilidade entre os fotógrafos brasileiros. Enquanto
no dia a dia profissional dos fotógrafos, lutamos bravamente pelos
direitos autorais, o Banco Icatu numa displicência arrogante, não
prestigia os profissionais da área. O jurí é formado
por apenas duas pessoas, por que?
Uma delas é um jornalista de texto, que embora respeitado por todos
nós, não nos parece ser a escolha mais apropriada. Como
conseqüência, o resultado deste ano é equivocado, pois
demonstra confusão entre Artes Plásticas e Fotografia, que
embora pareçam semelhantes, são distintas em sua natureza:
Fotografar é revelar o mundo real, transmitindo um emblema, um
questionamento.
O fotografo domina a arte do olhar enquanto que o artista plástico
pode criar imagens a partir de uma "matéria prima", que no caso
dos premiados deste ano é a fotografia. Porém, só
a verdadeira fotografia faz crer que seu autor esteve diante do objeto
fotografado naquele exato instante e só esta, visualmente, questiona
e decide o tempo com intuição e espontaneidade, como nos
ensina o mestre Bresson.
Mas o descaso com a classe dos fotógrafos não para por ai,
até hoje não foi divulgado nem conhecido o resultado dos
trabalhos dos profissionais que foram premiados nos anos anteriores com
esta bolsa para passar 6 meses em Paris desenvolvendo um projeto pessoal.
Tampouco o Banco Icatu se preocupou em divulgar a temática deste
Prêmio, que ao que parece é um meio apenas de divulgar o
nome do banco como incentivador de atividades artísticas e culturais
sem ao menos fazer conhecer aquilo a que se propõe.
É com indignação que a Photosynthesis questiona e
quer contribuir para que uma iniciativa de tamanho potencial possa se
dar plenamente e com compromisso e responsabilidade.
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