Photosynthesis verifica afirmação do fotógrafo e professor de fotografia, Ivan Lima
por Rubens Valente
 

Antônio Luiz da Silva, o Brigadeiro, foi quem revelou o filme Fuji 800 ASA usado pelo Luiz Carlos Santos no caso Estevão. Do seu computador a foto seguiu para o Rio para ser publicada. Brigadeiro, repórter-fotográfico e hoje encarregado do laboratório da sucursal do Globo em São Paulo, tem 54 anos de idade e 32 de profissão. Só de Globo ele tem 21 anos - uma vida, portanto. Sabe tudo e mais um pouco. Acompanha o que o professor Ivan Lima vem dizendo e está profundamente indignado. Uma indignação que emociona. Ele segura meu braço e pede que eu seja bem claro ao contar essa história:

Eu tenho um nome a zelar. Diga a essa pessoa que aqui ninguém faz isso, ninguém forja fotos. Isso não é jornalismo. O fato de ele ter se espantado com a fotografia não permitia que ele dissesse o que disse. A explicação está na boa colocação do repórter-fotográfico e na luz da cruzeta da TV, atrás do senador, que anulou quase totalmente o flash da máquina fotográfica, exatamente na hora em que o ovo se espatifou, ao bater em algum objeto ou em alguém antes de atingir Estevão. É um momento raríssimo do fotojornalismo. Impossível ter ocorrido risco na revelação. O filme entra horizontalmente na processadora, e as marcas luminosas estão na diagonal. Hoje em dia nem fazemos cópia em papel. O filme é escaneado.

O Brigadeiro revelou o filme numa processadora da Fuji modelo F1-Compact FP230B. Quando colocou o filme na mesa de luz, virou-se para Luiz Carlos Santos, que aguardava ansioso havia 18 minutos, e disse que ele realmente tinha uma grande foto. Luizão olhou o filme e deu dois gritos altos (eu, que estava na redação, ouvi muito bem).

"Luizão" já confiava que tinha uma bela foto, já havia dito no carro ao repórter Luis Henrique Amaral e ao motorista José Carivaldo Cardoso, o Tatá, que há 23 anos corre atrás de reportagens. Essa foi a equipe destacada pra cobrir o depoimento do Estevão. Ficaram lá quase 9 horas esperando a saída do ex-senador.

Para flagrar Estevão, Luizão adotou uma estratégia quase suicida. Ao invés de ficar atrás do táxi (chamado pelos seguranças do ex-senador para enganar a imprensa), como os outros fotógrafos, ele resolveu ficar esperando a saída de Estevão logo na porta da Justiça Federal. Acabou se revelando uma decisão acertada. Estevão não foi para o táxi, mas virou à direita, em direção a outro carro. Empurrado casualmente por um segurança, Luizão acabou frente a frente com o senador, quando houve a cena do ovo. Na página 08 da edição do Globo do dia 09, está a foto que ele tirou na imediata seqüência: aparece uma repórter ao lado de Estevão tentando se proteger da "chuva de ovos".

O motorista Tatá conta o que ocorreu quando a dupla de jornalistas entrou no carro, na volta para a sucursal:

- O Luizão chegou falando alto: "Eu tenho a foto! Eu tenho a foto!". Aí eu voei pro jornal. Não deu pra entrar no primeiro clichê, só no segundo. Eu digo outra coisa, sobre aquela noite: foi uma confusão enorme para os jornalistas trabalharem.