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Quantos de nós não passamos a vida pensando em escrever algo
que amontoe reminiscências, histórias antigas contadas e recontadas,
pedaços de vida, alfarrábios que resumem textos fragmentados, pensamentos
interrompidos... Um imenso baú de recordações...
As manifestações sensíveis são o maior testamento
de nossa passagem por este imenso planeta azul, abrigo e porto seguro de tantos
tipos de "artistas"... Falar em sensibilidade remete nossos
olhos sedentos de beleza , paz, contexto, poesia e razão a um emaranhado
de possibilidades que todos esses "artistas" podem gerar a todo instante.
Ainda
tentando melhor clarificar esse fazer sensível nosso de todos os dias,
numa sociedade marcada por contradições de toda espécie,
onde as grandes massas não possuem semblante que as identifique, cito um
exemplo significativo de possibilidade com o firme desejo de flagar o agora, o
já, o instante fugidio através da fotografia, e quem sabe, pontuar
algo que vive a nos escapar aos olhos; algo que permeia o encantamento da própria
vida, a despeito do descaso, do deboche pelo amador, pelo curioso que caminha
sob olhares pretensiosos, nos quatro cantos do mundo: o processo Pin Hole. A
fotografia Pin Hole é um meio através do qual pode-se surpreender
alguns olhos sagazes às vezes... |
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Numa tarde de setembro último, as fotógrafas Juliana Louro e
Carol Feichas realizaram a Oficina Pin Hole na Praça do Russel com as alunas
do Centro Cultural Laurinda Santos Lobo, pessoas comuns da comunidade de Santa
Teresa, que participam há dois anos do Curso de História da Arte
e Artesania, que desde o início buscou desenvolver no grupo um franco caminho
para a formação de uma visada crítico-construtiva diante
do mundo e da obra de arte. 
foto:
Regina Alvarez | |

foto:
Conceição | | |
O trabalho visa igualmente ao resgate da auto estima e cidadania. Entre elas
ali estava, sendo homenageada, a pessoa que trouxe o processo Pin Hole para o
Brasil, a profissional, professora e grande fomentadora da fotografia Regina Alvarez,
provando ainda ser um super olho e que as informações há
muito armazenadas são recapturadas, revividas no primeiro e mais sutil
contato da mão com o processo fotográfico. Segundo a fotógrafa
Juliana Louro, as fotos de Regina são as melhores sob todos os aspectos,
tendo ela não só manipulado bem o equipamento como mostrado que
entende ao pousar corretamente nas bandejas com as soluções químicas
o papel fotográfico e coisas assim... Quantas serão
ainda as respostas a serem desvendadas para determinados enigmas da vida e da
Ciência no que tange ao cérebro e aos olhos humanos? O Pin
Hole, supõe o desconhecido. É o registro de um instante mágico
e imprevisível, capturado pelas janelas leigas ou não, dos olhos
dos homens. Em fotografia, o processo trata um aspecto único da vida por
vez, perpetuando-o para as gerações futuras. Concluindo,
sob o signo do imprevisível, é bem provável que sejamos todos
criadores, artistas, artífices desta estética do instante gerando
imagens que serão armazenadas no eterno baú do tempo. |
| Tal como se falou
no ensaio "Arte não tem Sanidade", o fator surpresa, o escândalo,
o fenômeno, o estranho em qualquer que seja o meio que se encontre, é
ver que através da fotografia (aplicação da técnica
apenas para alguns) se encaixam, igualmente, pessoas não iniciadas em fotografia,
artesãos, poetas, críticos, pintores, escultores, fotógrafos,
amadores, curiosos, embrutecidos, dementados, sofridos, carentes... Sejam eles
como forem, estão alhures a produzirem composições de imagem,
impressões de luz com teor sensível, desprovidas dos conhecimentos
de abertura de diafragma, focagem, velocidade de obturação etc.
Como classificar então esse fazer? Seria pura e simplesmente a sensibilização
do papel fotográfico? | |
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