LAMBE-LAMBE: A PROFISSÃO QUE A TECNOLOGIA DESBANCOU
por Margareth Grillo
ensaio fotográfico de Anchieta Xavier

   

A maioria dos profissionais foge da imprensa para evitar que essa nova artimanha venha à tona. Na praça Aristides Lobo, centro de João Pessoa uma figura, no entanto, não resistiu em falar. Desde 1945, quando ainda existiam seis lambe-lambes, seu Manoel, como ele prefere ser chamado, 54 anos, trabalha com câmera fotográfica instantânea. Ele conta que nos idos de 80, o número de lambe-lambes chegava a uns 40. Seu Manoel, como os demais, usa câmera 35mm e faz fotos coloridas para entrega em uma hora. Revela o material nos minilabes do centro da cidade.

   

Em comum, é assim. As câmeras lambe-lambes são usadas como artifícios para despertar curiosidade, nada mais. Algumas não funcionam mais, outras estão até mesmo sem lentes. Entre os nove lambe-lambes restantes, e totalmente descaracterizados, apenas um faz questão de manter viva a tradição do verdadeiro lambe-lambe ou ventania, como queiram. Ednaldo Santana, 63 anos, não abre mão do antigo processo fotográfico. Há 39 anos está nesse ramo e conta com satisfação a história dos tempos áureos. A melhor época foi de 1960 a 1979, antes da chegada na cidade da foto colorida e dos minilabes. Hoje ele cobra R$ 3,00 por cada meia dúzia de fotos P&B, entrega o material em cinco minutos, mas, apesar da resistência a clientela está, a cada ano, mais reduzida.

 
ORIGEM DOS NOMES
 

Lambe-lambe: Em épocas passadas, era obrigatório que as fotografias de alguns documentos fossem datadas. Para isso, costumava-se fazer uma plaquinha de papel fotográfico. Como no instantâneo o negativo é em papel, que é refotografado, a plaquinha era feita em um minúsculo pedacinho de papel fotográfico, colado ao negativo. Até aí tudo bem. Mas o que essa história tem a ver como o nome lambe-lambe??? É que para fazer a colagem, o fotógrafo passava a língua na plaquinha para molhá-la e criar aderência. Daí, a famosa denominação, Lambe-lambe.

 
Ventania – Por funcionar em campo aberto, e óbvio, ficar exposto ao vento.
 

Mão-no-saco – Como a câmera é o próprio laboratório, na hora de revelar, o fotógrafo enfia a mão dentro da câmera para fazer a revelação, através de aberturas, como sacos ou meias, que impedem a entrada de luz.

   

Bufete – Enquanto o fotógrafo está revelando com a mão e o braço enfiado na câmera, através do saco ou meia, o cliente fica sentado em frente a câmera, parecendo que vai levar um soco.

 
Texto de Margareth Grillo e fotos de Anchieta Xavier, gentilmente cedidos pelo
web site O Foco, de Natal (RN)
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