LAMBE-LAMBE: A PROFISSÃO QUE A TECNOLOGIA DESBANCOU
por Margareth Grillo
Ensaio fotográfico de Anchieta Xavier
 

Lambe-lambe, ventania, mão-no-saco ou bufete.

 



Popularmente, estas são denominações curiosas atribuídas ao fotógrafo instantâneo, figura hoje, diante do avanço das novas tecnologias, praticamente em extinção. Nesse novo universo, onde os processos fotográficos estão cada vez mais avançados – basta o exemplo da fotografia digitalizada – o popular lambe-lambe perde espaço, principalmente por não ser possível trabalhar com a foto colorida, em função da exigência de um processo muito mais preciso e complexo.




Resistindo ao tempo, alguns deles ainda estão espalhados pelo Brasil. Recife que chegou a ter 60 lambe-lambes, tem, hoje, quatro deles. Em Campina Grande, dos dez existentes até a década passada, só resta um. Em Natal, a figura do lambe-lambe já está em extinção há quinze anos. Já nessa época, existia apenas um. Até um ano atrás, ele chegava a fazer ponto na Ribeira. Hoje se aposentou e deixou para trás a arte de fotografar instantaneamente.

 




Na tentativa de resgatar um pouco da história do fotógrafo instantâneo, a equipe d’O Foco esteve em João Pessoa e se deparou com uma infeliz realidade. Dos 40 lambe-lambes que existiram nessa cidade, há bem pouco tempo, restam apenas nove. E destes nove, apenas um usa o processo instantâneo. Os demais usam as antigas câmeras, apenas como fachadas para chamar atenção da clientela. Esse foi um dos motivos que dificultou nossa reportagem.