| SALGADO
- ÊXODOS, A EXPLORAÇÃO DA COMPAIXÃO ponto de vista de Jean-François Chevrier |
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Sebastião Salgado é um fotógrafo consagrado desde sua reportagem sobre a fome em Sahel, em 1984. Sua familiaridade com o Preto e Branco é fora de cogitação. Podemos verificar em seu projeto "Exodos", a descobrir numa exposição de 350 fotos à Casa Européia da Fotografia (Maison européenne de la photographie - MEP), em Paris, e dentro de seus dois livros. O enquadramento é excelente, mas não há imagens que se destaquem a partir da quarentena de reportagens realizadas aos quatro cantos do planeta, que associem as megalópoles e os retratos de crianças, dos povos sem estado (Curdos) e de outros martirizados pela guerra (Kosovo, Ruanda). |
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Uma foto de Salgado
se inscreve na tradição de Cartier-Bresson realçada de lirismo e de referências
à, releva Christian
Caujoule em Sebastião Salgado ( |
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EMOÇÃO E POUCA MOBILIZAÇAO
- Michel Guerrin |
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A maioria do público
comunga no baile dos oprimidos. Breve, Salgado tutela a graça, que lhe
é intocável. À frente das imagens, não é portanto o sujeito que retém
o olho, nem a testemunha, mas o esteticismo vaidoso que anestesia a realidade,
a doação aceitável, reconhecível e consensual. Uma boa imagem de reportagem
sugere um contexto, aquele que a contorna, põe em ameaça o espectador,
o desestabiliza ou o faz refletir. Em Salgado, o enquadramento torna-a
um ícone pavimentado de boas intenções e faz esqueçer aquilo que o autor
do retrato liberou por uma emoção direta mas estéril e sem mobilização
- salvo por permitir-se chegar ao fundo. |
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Essa impressão de que a emoção oculta a reflexão é ainda mais forte que o esteticismo de Salgado e acentua sua visão global do mundo. Os gestos das vítimas do êxodo, suas lembranças, seus movimentos, sua destreza são erguidas em estereótipos. Mais uma obra é globalizante, menos ela derrapa, repete a artista americana Martha Rosler. Em Salgado, esta proximidade traduz uma dupla influência marxista e cristã. Pela preçe marxista que é, ao bem da humanidade e mais importante que os destinos individuais. É a razão pela qual não sentimos, em Salgado, uma relação de intercâmbio com outras fotografias. Roland Barthes igualmente bem explicou nas suas Mitologias (Mythologies-1957), abordando a exposição fotográfica "família do homem"(1955) - muito próxima das concepções de Salgado - , que uma visão fotográfica globalizante põe à frente uma - a fatalidade contra a história - orquestrada por um Deus providencial, contra o qual ele não sai para lutar. |
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Esta aura
benevolente está ao seu preenchimento nos planos largos de refugiados
ou ou de hordas martirizadas, dominadas por uma paisagem lírica. Essas
imagens, as mais espetaculares, compõem páginas duplas dentro do livro
e em formato maior que na exposição. Elas testemunham a ambiguidade de
seu autor que mostra uma |
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Jean François Chevrier
é professor da Escola Nacional Superior de Belas Artes de Paris. (publicado no jornal francês Le monde em 18 de abril de 2000) |
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