Manifesto free-lancer
por Marcello Vitorino

 

Estamos bastante acostumados a ouvir indagações sobre o mercado fotográfico definindo-o como prostituto, no sentido mais amplo da palavra. Empresas que, "estimulando a concorrência", abrem orçamentos no intuito de conseguir um preço mais baixo, negociações de descontos em troca do crédito - absurdo total! - , utilização de imagens sem autorização do autor, posse indevida de material fornecido para veiculação gerando republicações indevidas, etc. Na visão do mercado, haverá sempre alguém fornecendo a um preço mais baixo, por isso, é pegar ou largar.

O fotógrafo free-lancer tem enorme responsabilidade sobre a situação do mercado, por isso, já está mais do que na hora de se iniciar um processo de educação deste segmento que cresceu muito nos últimos anos e vai crescer ainda mais. Basta observar as redações, cada vez mais enxutas e com salários que podemos classificar de ridículos, obrigando muitas vezes o próprio funcionário a se virar com alguns "freelas" (como podemos ver, a questão do free-lancer vai mais longe do que imaginamos). Temos ainda a internet , que vem se mostrando cada vez mais e fazendo surgir um novo mercado de trabalho, justamente quando todos pensavam que não haveria onde colocar tanta gente, afinal, as escolas de fotografia brotam do nada, apresentando aos alunos um mundo estereotipado. Se esquecem de falar das responsabilidades éticas e morais, mas nunca deixam de apresentar um vídeo da National Geographic. Qual a tendência então desta profissão que os mais sinceros escolhem movidos pela paixão e pela necessidade de mostrar ao mundo aquilo que está à sua frente mas faz questão de não enxergar?

Precisamos nos espelhar nos bons exemplos e honrar nossa atividade. É necessário discutir as relações de mercado e mostrar as vantajens de se trabalhar com profissionais. Fotografar não é ir até lá e apertar o botão. A fotografia é muito mais complexa do que imaginam essas pessoas que ajudam a fazer do mercado um sangrento campo de batalha. Valorize o seu trabalho, a sua capacidade e a inteligência daquele que vai ver e utilizar a sua fotografia. Faça com que cada pauta se transforme num bom motivo para deixar a fotografia nas mãos do fotógrafo, que deve receber dignamente para exercer sua nobre profissão. Faça sua parte. Conselho de amigo? É pegar ou largar!

 
 

Marcello Vitorino
é fotógrafo em São Paulo (SP)

 
 
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