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Estamos bastante acostumados
a ouvir indagações sobre o mercado fotográfico definindo-o como prostituto,
no sentido mais amplo da palavra. Empresas que, "estimulando a concorrência",
abrem orçamentos no intuito de conseguir um preço mais baixo, negociações
de descontos em troca do crédito - absurdo total! - , utilização de imagens
sem autorização do autor, posse indevida de material fornecido para veiculação
gerando republicações indevidas, etc. Na visão do mercado, haverá sempre
alguém fornecendo a um preço mais baixo, por isso, é pegar ou largar.
O fotógrafo free-lancer tem enorme responsabilidade sobre a situação do
mercado, por isso, já está mais do que na hora de se iniciar um processo
de educação deste segmento que cresceu muito nos últimos anos e vai crescer
ainda mais. Basta observar as redações, cada vez mais enxutas e com salários
que podemos classificar de ridículos, obrigando muitas vezes o próprio
funcionário a se virar com alguns "freelas" (como podemos ver, a questão
do free-lancer vai mais longe do que imaginamos). Temos ainda a internet
, que vem se mostrando cada vez mais e fazendo surgir um novo mercado
de trabalho, justamente quando todos pensavam que não haveria onde colocar
tanta gente, afinal, as escolas de fotografia brotam do nada, apresentando
aos alunos um mundo estereotipado. Se esquecem de falar das responsabilidades
éticas e morais, mas nunca deixam de apresentar um vídeo da National Geographic.
Qual a tendência então desta profissão que os mais sinceros escolhem movidos
pela paixão e pela necessidade de mostrar ao mundo aquilo que está à sua
frente mas faz questão de não enxergar?
Precisamos nos espelhar nos bons exemplos e honrar nossa atividade. É
necessário discutir as relações de mercado e mostrar as vantajens de se
trabalhar com profissionais. Fotografar não é ir até lá e apertar o botão.
A fotografia é muito mais complexa do que imaginam essas pessoas que ajudam
a fazer do mercado um sangrento campo de batalha. Valorize o seu trabalho,
a sua capacidade e a inteligência daquele que vai ver e utilizar a sua
fotografia. Faça com que cada pauta se transforme num bom motivo para
deixar a fotografia nas mãos do fotógrafo, que deve receber dignamente
para exercer sua nobre profissão. Faça sua parte. Conselho de amigo? É
pegar ou largar!
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