Abre-se
a cortina.
Noite. O Rio se faz diferente do que os olhos humanos conseguem
ver. Cidade de contraste, dessa vez não mostra o esfomeado e o burguês,
mas as frenéticas cores que se escondem em cada ponto de luz. Luzes
que no dia-a-dia nos passam desapercebidas, mas que têm o poder
de descaracterizar postais, destruir a arquitetura de monumentos
e brilharem sozinhas no escuro. Apesar de alta madrugada, o Rio
se mostra corrido, as vezes violento, as vezes enigmático em sua
cores e paisagens. Coisa que o tão evoluído homem (?) não vê e só
a mesma fotografia de séculos passados é capaz de mostrar. |
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Apaixonado e
amedrontado pela noite do Rio, esse trabalho surgiu da vontade
de se mostrar algo diferente. Uma cidade, que na correria do dia
não tem tempo de se conhecer a noite. Um Rio de Janeiro diferente
do Redentor com céu azul, do por do sol no Arpoador, da morena
de fio dental em Ipanema, do Maracanã de domingo e do tocador
de pandeiro com a testa suada. A noite do Rio se desenha em cores
e formas abstratas.
Segundos depois,
fecha-se a cortina.
Leonardo Ramadinha, Rio, 16 de Fevereiro de 2000.
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