
foto: Renan Cepeda | | No
site da photosynthesis (www.photosynt.net), composto por cerca de 90 fotógrafos
espalhados pelo Brasil e E.U.A., venho liderando uma discussão a respeito da digitalização
de imagens e seu impacto não só na imprensa como no próprio ato de observar o
que está a nossa volta. Pois, se o ato de fotografar é, também, o de recortar
do real para transmitir um emblema sobre um assunto, deve-se separar em conceito
a fotografia da imagem manipulada digitalmente, que eu apelidei de "digimagem".
Não que uma esteja acima da outra em valor artístico, mas por se diferenciarem
em sua natureza: uma é a arte do olhar, outra de criar uma imagem a partir de
uma "matéria-prima", que seria uma ou várias fotos, resultando em arte gráfica
semelhante, mas distinta. A
troca de idéias me fez entender que nem fotos e muito menos digimagens trazem
consigo a verdade incontestável. Porém, somente uma fotografia "pura" faz crer
que o seu autor esteve diante do objeto descrito por sua obra. Enquanto que a
digimagem pode ser obtida a partir da tela branca do monitor de um computador,
escaneando fotos, colhendo-se outras na www e fundindo-as entre si para resultar
em uma terceira ou quarta obra, sem que o autor se levante da cadeira. E os valores
éticos inerentes a esta atividade tão cedo não estarão definidos, mas já são extremamente
urgentes, principalmente quando uma digimagem é apresentada como fotografia documental. Comecei
a ficar incomodado com esta questão quando, ao mostrar minhas fotografias em infravermelho
e as "Pichações de Luz", as pessoas logo me perguntavam se eram manipuladas em
Photoshop, se eu possuía o Corel Draw 4.0 ou quanto tempo fiquei a frente no micro.
Ficavam admiradas ao responder que eram fotos puras, sem mesmo nenhuma manipulação
de laboratório químico, com todos os efeitos obtidos NO ATO DE FOTOGRAFAR, bastando
apenas ampliar os negativos.
A
partir daí, sempre que possível, faço menção, em cada foto minha, de que se trata
de uma "fotografia desplugada". |