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"A
fotografia não mudou desde a sua origem, exceto em seus aspectos técnicos,
o que, para mim, não constitui preocupação maior. A fotografia parece
ser uma atividade fácil: é uma operação diversa e ambígua, em que o único
denominador comum entreos que a praticam é o instrumento. O que escapa
deste gravador não escapa às contingências econômicas de um mundo de desordens,
às tensões cada dia mais intensas e a consequencias ecológicas mais insensatas.
A fotografia ''fabricada'' ou representada não me concerne. E se faço
um julgamento, será apenas de ordem psicológica e sociológica. Há os que
fazem fotografia preparada de antemão e os que vão à descoberta da imagem,
surpreendendo-a. A camera fotográfica é para mim um bloco de notas, instrumento
da intuição e da espontaneidade, mestre do instante que, em termos visuais,
questiona e decide ao mesmo tempo.
Para ''revelar '' o mundo é preciso sentir-se implicado no que se enquadra
através do visor. Essa atitude exige disciplina de espírito, sensibilidade
e senso de geometria. É através de uma grande economia de meios que chegamos
à sensibilidade de expressão. Deve-se sempre fotografar com o maior respeito
ao sujeito e a sí próprio. Fotografar é segurar o fôlego quando todas
as nossas faculdades se conjugam diante da realidade fugidia; é quando
a captura da imagem representa uma grande alegria física e intelectual.
Fotografar é, num mesmo instante e numa fração de segundo, reconhecer
um fato e a organização rigorosa das formas percebidas visualmente que
exprimem e significam este fato. É colocar na mesma mira a cabeça, o olho
e a emoção. No que me concerne, fotografar é um meio de compreender, que
não pode se separar dos outros meios de expressão visual. É uma forma
de gritar, de se liberar e não de provar ou de afirmar sua própria originalidade.
É uma forma de viver.''
Henri Cartier Bresson
é fotógrafo
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