O Belo é relativo
por Kátia RÊ

 

Dentro da visão antropocêntrica de mundo, o homem ocidental é considerado como o centro do universo. Os gregos tomaram o homem como a justa medida, fizeram da escala humana a estrada que os levou a perfeição - O HOMEM COMO A MAIOR MARAVILHA DAS COISAS. Muito mais tarde, o artista viria a expressar-se através do sentimento, romperia com a cópia exata da natureza, para idealizar a forma através de leis e daria vazão ao impulso interno, numa poética sensível que o exercício do olhar preencheria de significações. O Belo tornou-se relativo desde o início deste século com a Teoria Geral da Relatividade postulada, pelo alemão Albert Einstein; ao mudar cientificamente a forma do homem encarar a natureza, influenciou todos os outros campos do conhecimento humano e em meio a tantas novas interpretações filosóficas, modificou radicalmente a visão que o homem tinha de mundo.

 
 
 
 No século XVII, Isaac Newton formulou a lei da Gravitação Universal, tendo sido capaz de explicar a razão pela qual os animais, os objetos e quaisquer outras coisas são atraídos para o centro da Terra. Igualmente teria dado conta da explicação da Lua girar em torno da Terra e esta girar em volta do Sol por causa da gravidade do astro-rei. Ao discordar, Einstein mencionou que os raios (ou partículas) de luz e os corpos em geral atravessam o espaço por um caminho menor, que não estão inscritos em uma linha reta como acreditava Newton. Para Einstein o espaço é curvo. Considerado rebelde para seu tempo, Einstein não descansou. Investigou mais e mais e descobriu que da interação entre os corpos acontece uma influência sobre a geometria do espaço-tempo. Contemplou o mundo, com a noção de espaço quadridimensional, ou seja, uma abstração matemática que abrange as três dimensões espaciais criadas por Euclides na Grécia (o ponto, a linha e o plano), chegando a uma quarta: o tempo. No ano de 1919 Einstein ficou mundialmente reconhecido após a visita de cientistas ao Brasil com o objetivo de observar a passagem de um eclipse. Na ocasião, diante da possibilidade de serem vistas a olho nu, algumas estrelas foram, fotografadas pelos cientistas; após a revelação, o exame das fotos revelou que as estrelas pareciam ter mudado de lugar, tal qual previu Einstein.  
 
 
 
Um excelente exemplo dessa nova apropriação de mundo deu-se com o maestro Hans-Joachim Koellreutter, que aliou a sua investigação musical à pesquisa científica, compondo sua música baseada em conceitos da Física. Como Einstein, o maestro Koellreutter fugiu dos horrores do nazismo. Koellreutter veio morar no Brasil e se tornou cidadão brasileiro. A música para Koellreutter, nunca mais foi a mesma desde que Einstein formulou sua Teoria da Relatividade, onde espaço e tempo fundem-se. Segundo o maestro,
 "Todos os elementos da arte musical são temporais(...) Isto vale tanto para a duração de um som, como para a sua altura, isto é, os graves e os agudos, ou seu volume. Se o conceito do tempo muda, a música que é uma manifestação puramente temporal, muda junto com ele(...) A função do artista, a meu ver, é mesmo a de assimilar, debater e divulgar as idéias científicas de sua época(...) Busco uma estética relativïsta do impreciso e do paradoxal."
 
(Revista Globo Ciência / janeiro 1996)
Passaram pelas mãos desse maestro alunos e discípulos como: Tom Jobim, Isaac Karabtchewsky, Julio Medaglia, entre outros.
 
   
 

Kátia Rê é

Arte-educadora com especialização em
História da Arte e Arquitetura no Brasil

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