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agente e o contato do fotógrafo por Cícero Rodrigues |
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A profissão de fotógrafo costuma inspirar fantasias românticas. Nas novelas de televisão, no cinema e nos livros, os fotógrafos são sempre representados por tipos meio desligados que passam a vida preocupados com conquistas amorosas. Na vida real, porém, o dia a dia dos profissionais da imagem é feito de contas à pagar, prazos a cumprir e um mercado de trabalho cada vez mais competitivo. Para lidar com todas estas exigências, alguns fotógrafos têm se associado a outros profissionais que os auxiliem com a parte comercial de sua atividade. Estes colaboradores são chamados de agentes e contatos. É importante observar que estas denominações se referem a atividades diversas. O agente é uma função altamente qualificada e praticamente desconhecida no Brasil. Somente agora começam a vingar as primeiras iniciativas de sucesso de agenciamento de fotógrafos. Como geralmente acontece, o pioneirismo se dá em São Paulo. Depois de acumular uma vasta experiência como atendimento de agências de propaganda, o publicitário Chico Lowndes se uniu a um estúdio de locação e fundou, há três anos, a REP - Representação Fotográfica. Sua proposta é cuidar de tudo o que diz respeito a parte comercial da atividade, baseado na constatação de que "um bom fotógrafo não é necessariamente um bom homem de negócios". Em geral, o agente também orienta o fotógrafo a escolher e refinar sua especialidade, cuida das ações de marketing (mala direta, papelaria, etc.), prospecta novos clientes, negocia os orçamentos e a cobrança, e, em alguns casos, também faz a produção (contratação de modelos, aluguel de estúdios, etc.). Segundo Chico Lowndes, uma vantagem adicional deste tipo solução é a redução do custo fixo, uma vez que o representante absorve parte da estrutura normalmente exigida dos fotógrafos como, secretária, local para reuniões, etc. São os agentes que escolhem (ou não) representar um fotógrafo, uma vez que poder contar com seus serviços pode ser a diferença entre o fracasso e o sucesso em um mercado sofisticado. Normalmente os agentes montam uma carteira com vários fotógrafos, cada um cobrindo uma especialidade ou estilo bem definidos. Esta é a principal dificuldade para este modelo de profissional funcionar no Brasil. Como em geral, o mercado não comporta especialidades ou estilos muito restritos, todos acabam se tornando generalistas e disputam as mesmas oportunidades. Esta situação cria margem para desavenças com o agente na medida em que ele trabalha para mais de um profissional, todos atuando em um mercado reduzido. Chico Lowndes que representa fotógrafos como Klaus Mitteldorf, Luís Crispino e Cássio Vascolcelos, afirma que "os problemas acontecem quando falta trabalho" e acrescenta com indisfarçável orgulho: "não é este o nosso caso". A outra atividade é a do contato. Basicamente o contato cuida da prospecção de novos negócios e do atendimento dos clientes antigos em troca de uma comissão. A vantagem seria desocupar o fotógrafo destas atividades para que ele possa dedicar mais tempo aos aspectos técnicos e artísticos. Na prática, não são freqüentes as relações entre fotógrafo e contato que realmente funcionam. Em primeiro lugar existe a questão da remuneração. O problema não é definir uma porcentagem mas saber sobre quais valores ela incide. O primeiro contato com um novo cliente geralmente rende trabalhos pequenos, confusos ou mal pagos, afinal as partes ainda estão se conhecendo. Comissionar o representante comercial apenas por estes novos contatos não costuma gerar receita suficiente para tornar esta atividade atraente. Até mesmo porque a realidade de nossa profissão costuma oferecer possibilidades limitadas de novos negócios. Por outro lado, pagar pelos serviços subsequentes significa um custo fixo dificilmente suportável para qualquer fotógrafo, mesmo com a contrapartida de novas obrigações para o contato, como cuidar do atendimento, etc. Há que se considerar ainda outros aspectos. Como o contato recebe comissão, a tendência é que ele se preocupe apenas com volume e não com a qualidade dos clientes. Caso o contato tenha autonomia para negociar preços ele cobrará barato para ganhar na quantidade enquanto o infeliz do fotógrafo sofre na retaguarda. Os contatos também costumam enfrentar alguma resistência dos próprios clientes. De acordo com Carlos André Eyer, diretor de arte da agência Giovanni,FCB "mesmo durante a apresentação do portfólio é interessante poder conversar com o fotógrafo para ouvir suas opiniões e saber porque ele chegou até aquele resultado". "Na prática, acho muito difícil passar uma foto para um cara que eu nunca ví", conclui Carlos André. Ainda assim, existem casos de contatos bem sucedidos. Durante alguns anos André Domingues foi um dos contatos mais disputados pelos fotógrafos cariocas pois seus serviços significavam faturamento garantido. Atualmente André Domingues trabalha como produtor fotográfico, mas com base em sua experiência, ele acredita que o contato se adequa aos "trabalhos impessoais, funcionando mais como um produtor executivo". Um exemplo de trabalho impessoal seriam as fotografias de produto para o setor de varejo como supermercados e lojas de departamentos. |
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De qualquer modo, o maior patrimônio de um profissional são seus clientes. Com freqüência, os fotógrafos bem sucedidos são aqueles que possuem talento comercial independentemente de suas qualidades técnicas ou artísticas. A não ser que o fotógrafo seja muito conhecido ou possua uma habilidade única, condições que o coloquem na posição invejável de ser procurado pelos clientes, ele estará correndo alguns riscos ao abrir mão da prospecção e do atendimento. São comuns as histórias de contatos que, após se desentender com um fotógrafo, transferem todos os clientes que podem para seus novos parceiros. Caso o
fotógrafo opte por cuidar ele mesmo da parte comercial então deverá poder
contar com colaboradores de bom nível como uma secretária e/ou um assistente
que o ajudem a atender os clientes e a cuidar de um sem número de tarefas
em bases diárias. Esta fórmula também não é imune a problemas. Entre eles
uma legislação trabalhista estúpida, custo fixo elevado, as tensões inerentes
às relações trabalho e capital, o tempo e energia gastos com treinamento,
etc. Porém, a longo prazo costumam ser soluções mais consistentes. Cícero
Rodrigues | ||||||
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