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O PRINCIPIO DA FOTOGRAFIA por Tibério França |
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Esta semana um aluno em sala de aula ao tentar responder ao que era uma fotografia disse que ela não era um desenho. Argumentei que uma fotografia poderia ser um desenho e citei Man Ray e seus rayogramas na década de 1920 ou mesmo as experiencias de "painting light", mais recentemente. Ou seja, a fotografia age de forma análoga ao desenho, gerando uma imagem (uma marca) sobre uma superficie. De forma generalizada, podemos distinguir sem dificuldade uma fotografia de um desenho, de uma pintura e até mesmo de gravuras hiperrealistas. Mas ao tentar defini-la, esbarramos inevitalmente na superficialidade do processo, ou seja, a habilidade da prata em reagir a ação da luz. Respostas ambiquas como "a eternização de um momento" ou mesmo "a representação do real" são as mais encontradas entre os alunos. Sabemos que uma fotografia não pode ser considerada uma cópia fiel da realidade, pois esta identificação fica sujeita a interferencia da câmera, do filme, da objetiva, da luz, etc, etc. A verdade é que a fotografia "serve" a vários propósitos, como bem salientou John Szarkowsky, devido as suas multiplas possibilidades. Assim, a fotografia em nosso documento de identidade difere daquela que fizemos com os familiares no ultimo natal que difere ainda daquela publicada na coluna social do jornal diário. E existe aquela fotografia preocupada com uma comunicação intersubjetiva, incorporada a intenções e manifestações artísticas, que geralmente encontra ressonância junto a um grupo de captadores/admiradores que percebem as intenções do produtor/gerador da imagem. Entendendo o que é uma fotografia, passamos a admiti-la dentro de um universo expressivamente representativo, de comportamento próprio e independente. Assim, podemos assumir que uma fotografia pode não ter uma caracteristica artistica, mas o meio é especialmente adequado às manifestações de ordem pessoal. A fotografia, por incorporar caracteristicas do processo que a distingue das demais artes visuais (a capacidade de gerar detalhes, apontada por Max Kosloff) sugere uma certa objetividade realística que nos leva ingenuamente a crer que a responsabilidade do fotógrafo é meramente compor, ou alinhar a mira, esperando o momento certo de disparar. Diferentemente da pintura, o fotógrafo precisa aprender a lidar com a intratabilidade da vida, com o inesperado e o inusitado como elementos do seu trabalho. Excluindo a fotografia científica (e tambem o fotojornalismo ético), por vezes foi demonstrada a fragilidade da fotografia como documento, podendo a expressão de certa realidade ser manipulada de acordo com a intenção de seu produtor, no caso, o fotógrafo. De fato sabemos do uso da fotografia para formar opinião, o que se aplica desde revoluções idealistas com fins politicos às campanhas publicitárias de bebidas ou cosméticos. E o advento da imagem digital vem reforçar a autoridade do produtor da imagem como manipulador dos fatos, tal qual fazia, por exemplo, os pintores empenhados em registrar fatos históricos antes do surgimento da fotografia. Acredito que a complexidade da fotografia artística espelha a complexidade da arte no presente, onde o uso de imagens tecnicas já foi de todo assimilado pela arte dentro da chamada "mídias comtemporaneas", além do que a propria divisão da arte em categorias estanques já caiu em desuso. O surgimento da fotografia colaborou decisivamente para a subversão dos ideais clássicos de representação, transformando a maneira do ser humano de ver, viver e conviver com seus semelhantes, ajudando-o a incorporar as possibilidades imprevisiveis do caos urbano. O principio da fotografia talvez repouse na intenção da mente em compreender o mundo, apreendendo seus códigos e valores, gerando novos simbolismos e ampliando o universo cognitivo do homem. Tibério
Franca |
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