São Paulo, 27 de março de 2002

A Metrópole do Caos
por Joana Mazza

No segundo dia após a abertura da bienal para o público (24.03.02) a impressão que se tinha era a de um caos geral. Grande parte dos artistas estavam abordando as metrópoles sob o prisma do caos, mas ele estava presente também em outros aspectos como desorganização da equipe, instalações inacabadas, falta de sinalizações, no espaço do pavilhão e identificações com falhas em algumas obras.

Logo na entrada me deparo com o performático Arthur Omar isolando parte de suas fotos para executar a troca de uma delas. Por sinal, se não fosse por essa performance inoportuna as fotos de Arthur Omar poderiam muito bem ter a sua autoria confundida com a de algum bom foto-documentarista. Mas seu trabalho está exposto de forma fragmentada e na segunda parte está a assinatura performática deste artista.

Por falar em personalidades, esta bienal se apresenta com poucos nomes conhecidos. O curador Alfons Hug preferiu apostar em artistas que estivessem fazendo parte da produção de arte contemporânea, mas que ainda não tenham o devido reconhecimento internacional. Esta opção é louvável, mas não tenho certeza se ela funciona. Em seu segundo dia de exposição os corredores da bienal estavam com grande parte de seu público caracterizado por jovens monitores, seguranças e convidados especiais.

Acredito que mais um fator importante pelo desinteresse do público é a extinção do núcleo histórico, que funcionou como isca em muitas edições. Os organizadores alegam que sem o núcleo histórico sobra mais tempo e dinheiro para o que realmente interessa, que é a seleção da arte contemporânea e que a função do núcleo é a mesma dos museus.

O tema central As Metrópoles é muito interessante, pois para o grande público que entra no pavilhão vai se identificar com muitas das obras expostas. É a identificação através do reconhecimento de elementos que fazem parte do cotidiano da vida de todos que moram em centros urbanos. Interessante, já que a arte contemporânea é algo tão abstrato aos olhos do grande público.

Mesmo abordando 12 cidades distintas, muitos elementos são facilmente reconhecidos por nós brasileiros. Um dos aspectos mais apresentados é a favela. Ela aparece em trabalhos de diversos artistas, nenhum deles brasileiro e o resultado é sempre caótico, mas nem sempre desinteressante.

Os artistas em sua grande maioria têm como instrumentos de trabalho maquetes, vistas aéreas, mapas e paisagens urbanas. Um belo exemplo é a delicada obra do uruguaio Marco Maggi.

A fotografia aparece em sua grande maioria como suporte de um registro. Seja ele de uma performance ou de um registro urbano acompanhado de algum conceito. Belos exemplos são a austríaca Vanessa Beecroft, a coreana Atta Kim e o alemão Michael Wesly.

Uma coisa a bienal quis provar e acho que conseguiu. A produção de arte contemporânea não está mais em centros tradicionais como os Estados Unidos e Europa, mas estes ainda funcionam apenas como difusor dessa arte.