"Eu adoro frango ao molho pardo"

Quando assisto a um programa jornalístico na TV sou bombardeado por imagens violentas de morte e destruição; por assasinatos brutais, estupros e toda sorte de maldades. E não sinto mais nada. E ninguém mais sente coisa alguma. Todos nos tornamos impermeáveis a essas imagens e debilidades humanas. Até o momento em que aparece um lindo cãozinho recebendo tratamento VIP numa clinica veterinária de luxo. E nos enternecemos. Se morre, choramos. Se é salvo, choramos também. E toma gente morta na TV! O que nos torna tão sensíveis em relação ao tratamento que dispensamos aos animais? E insensíveis quando se trata da nossa própria gente? Até mesmo aqueles animais que comemos precisam ser mortos às escondidas, em abatedouros de toda espécie. Muitos de nós se tornam vegetarianos, só para não carregar na consciência o peso da morte de um animal. Mas, se não tivessemos comido os animais ao nosso redor no passado, a humanidade não existiria. Até mesmo hoje precisamos deles. Mas não precisamos matar o próximo. No entanto, matamos o próximo e derramamos lágrimas pelos animais. Que dualidade espantosa carrega o ser humano! Heróis ou abutres? Prefiro ser um abutre, que come por necessidade e nunca mata outro da sua própria espécie. Os heróis humanos são todos assassinos, direta ou indiretamente. Está servido?

Julio Bittner Rojas
foto:álbum de família
Julio Bittner Rojas é fotógrafo
e vive em Belo Horizonte (MG)