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Só que não imaginava que a Tropa de Choque fosse entrar tão
rápido, cinco horas após o início do motim. O
clima em frente a entrada do inferno, entre parentes dos rebelados
e algumas facções da Polícia Militar, era nublado e ficava mais
tenso a cada trote da cavalaria. De repente, familiares desesperados
pedindo paz, uns passando mal, a fusão do barulho do metrô e
dos helicópteros pareciam anunciar a chegada da Tropa de Choque,
que migrava no começo da avenida. Os mais de 7 mil detentos
com milhares de reféns, a maioria sendo os próprios parentes,
não imaginavam o que estava por vir. Caminhões chegam carregados,
mulheres entram em pânico; soldados enfileirados, uma senhora
desmaia; a tropa avança batendo contra os escudos, uma lágrima
percorre o rosto castigado pelo tempo de uma velhinha. Com o
tumulto, caí de cima de um banquinho após fazer a entrada do
Choque. Saí correndo para transmitir a primeira série de um
total de 12 fotos, ao término. Madruguei naquele mundo até pouco
antes do fim da rebelião. O medo do segundo massacre pairou
em todos que lá estavam, a trabalho ou não, durante as 24 horas
de rebelião sobre aquele lugar macabro, com muralhas de 12 metros
de altura.
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