CARANDIRU
por Mauricio Lima

Só que não imaginava que a Tropa de Choque fosse entrar tão rápido, cinco horas após o início do motim. O clima em frente a entrada do inferno, entre parentes dos rebelados e algumas facções da Polícia Militar, era nublado e ficava mais tenso a cada trote da cavalaria. De repente, familiares desesperados pedindo paz, uns passando mal, a fusão do barulho do metrô e dos helicópteros pareciam anunciar a chegada da Tropa de Choque, que migrava no começo da avenida. Os mais de 7 mil detentos com milhares de reféns, a maioria sendo os próprios parentes, não imaginavam o que estava por vir. Caminhões chegam carregados, mulheres entram em pânico; soldados enfileirados, uma senhora desmaia; a tropa avança batendo contra os escudos, uma lágrima percorre o rosto castigado pelo tempo de uma velhinha. Com o tumulto, caí de cima de um banquinho após fazer a entrada do Choque. Saí correndo para transmitir a primeira série de um total de 12 fotos, ao término. Madruguei naquele mundo até pouco antes do fim da rebelião. O medo do segundo massacre pairou em todos que lá estavam, a trabalho ou não, durante as 24 horas de rebelião sobre aquele lugar macabro, com muralhas de 12 metros de altura.