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Sempre
que estou em casa de folga, mantenho a televisão e o rádio ligados
ao mesmo tempo para saber o que está acontecendo. Na maioria
das vezes, sempre as mesmas manchetes e as mesmas reportagens.
Só que por volta das 13h do último domingo, isso saiu da rotina
quando vi na TV um detento pintando a palavra "paz" no campo
de futebol do segundo maior presídio do mundo, a Casa de Deteção
do Carandiru. Tive de interromper o suculento almoço com meu
pai para iniciar minha primeira cobertura de uma rebelião que,
em princípio, não aparentava ter a proporção que se desenrolou
durante as próximas 24 horas no estado de SP.
Após uma breve conversa com o meu editor, Antonio Scorza, a
caminho da agência para buscar meu equipamento, já havia visto
uma cena que poderia seria uma foto. Torci para que quando voltasse,
após meia hora, ainda continuasse lá. Sorte. Foi melhor do que
quando passei no início. A sexta foto de uma seqüência de 11
foi a primeira que transmitiria - estava apenas com um cartão,
o que também estava me deixando preocupado.
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