CARANDIRU
por Mauricio Lima

Sempre que estou em casa de folga, mantenho a televisão e o rádio ligados ao mesmo tempo para saber o que está acontecendo. Na maioria das vezes, sempre as mesmas manchetes e as mesmas reportagens. Só que por volta das 13h do último domingo, isso saiu da rotina quando vi na TV um detento pintando a palavra "paz" no campo de futebol do segundo maior presídio do mundo, a Casa de Deteção do Carandiru. Tive de interromper o suculento almoço com meu pai para iniciar minha primeira cobertura de uma rebelião que, em princípio, não aparentava ter a proporção que se desenrolou durante as próximas 24 horas no estado de SP.

Após uma breve conversa com o meu editor, Antonio Scorza, a caminho da agência para buscar meu equipamento, já havia visto uma cena que poderia seria uma foto. Torci para que quando voltasse, após meia hora, ainda continuasse lá. Sorte. Foi melhor do que quando passei no início. A sexta foto de uma seqüência de 11 foi a primeira que transmitiria - estava apenas com um cartão, o que também estava me deixando preocupado.