CONGADA
por Rodrigo Zeferino

A festa do Rosário de Nossa Senhora no Brasil está ligada a grupos negros que realizam os autos populares conhecidos pelos nomes de Congada, Con-gado ou Congos. Por essa vinculação aos negros, o Congado se tornou também uma festa de santos de cor, como São Benedito e Santa Efigênia. Embora alguns estudiosos atribuam a gênese do Congado a uma influência européia, ligando-a às lutas religiosas da Idade Média, a hipótese mais forte é a que defende a origem afro-brasileira do culto. É importante lembrar que o processo de catequese, através de missionários dominicanos, levara Nossa Senhora do Rosário à África, impondo seu culto aos negros. O acréscimo dos elementos de coroação de reis, lutas e bailados guerreiros é a contribuição africana, numa rememoração das práticas da Terra-Mãe. Mas o traço decisivo da criação do Con-gado ocorrerá no Brasil colonial, através do processo aculturativo: de um lado, o modelo religioso do branco, de outro, a recriação do negro. O ensaio se propõe a mostrar não só a festa, a procissão em si. Por inú-meras vezes, e de forma involuntária, a mira da objetiva foi deslocada do núcleo das festividades para pousar sobre detalhes de seus arredores. O antes, o depois, os espectadores, a procissão observada de dentro e de fora; todas estas dimensões resumidas em 13 imagens apenas - retratam em conjunto a festa folclórica de Congado, ocorrida no último mês de outubro, na pequena Lapinha, interior do Estado de Minas Gerais.