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A
festa do Rosário de Nossa Senhora no Brasil está ligada a grupos
negros que realizam os autos populares conhecidos pelos nomes
de Congada, Con-gado ou Congos. Por essa vinculação aos negros,
o Congado se tornou também uma festa de santos de cor, como
São Benedito e Santa Efigênia. Embora alguns estudiosos atribuam
a gênese do Congado a uma influência européia, ligando-a às
lutas religiosas da Idade Média, a hipótese mais forte é a que
defende a origem afro-brasileira do culto. É importante lembrar
que o processo de catequese, através de missionários dominicanos,
levara Nossa Senhora do Rosário à África, impondo seu culto
aos negros. O acréscimo dos elementos de coroação de reis, lutas
e bailados guerreiros é a contribuição africana, numa rememoração
das práticas da Terra-Mãe. Mas o traço decisivo da criação do
Con-gado ocorrerá no Brasil colonial, através do processo aculturativo:
de um lado, o modelo religioso do branco, de outro, a recriação
do negro. O ensaio se propõe a mostrar não só a festa, a procissão
em si. Por inú-meras vezes, e de forma involuntária, a mira
da objetiva foi deslocada do núcleo das festividades para pousar
sobre detalhes de seus arredores. O antes, o depois, os espectadores,
a procissão observada de dentro e de fora; todas estas dimensões
resumidas em 13 imagens apenas - retratam em conjunto a festa
folclórica de Congado, ocorrida no último mês de outubro, na
pequena Lapinha, interior do Estado de Minas Gerais.
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