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Quantas
vezes você passou ontem pela sua rua e viu aquela árvore na esquina?
Uma vez? Duas? Dez vezes? Mas quantas vezes você realmente "viu"
aquela árvore? Quantas vezes prestou atenção na textura? Já viu
as formas? E a sombra que ela projeta as 10h da manhã? Será que
mesmo sabendo dela alí você nunca "viu" a árvore? |
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Bem,
o fato é que nos acostumamos fácil e rapidamente com as imagens
que fazem parte do nosso cotidiano. Por isso não conseguimos realmente
ver (perceber) a riqueza de detalhes a nossa volta. Preste mais
atenção num rosto que já lhe é familiar e verá que novos detalhes
e novas imagens estarão se criando ali. Entre as rugas, os cabelos,
os gestos ou ainda entre cada luz que entra e incide em cada um
dos lados, verá cenas que sempre estiveram ali mas não faziam
parte da sua percepção. |
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Este
é o principal ponto do ensaio "Frações do cotidiano", mostrar
que a partir de coisas simples e já tão conhecidas, como a árvore
por exemplo (vemos árvores todos os dias, não?) é possível ver
algo de novo. Basta tentar um ângulo diferente. Basta chegar mais
perto. Basta observar! E se conseguir ver novas imagens em imagens
já conhecidas, verá muito mais quando for apresentado a lugares
e pessoas que ainda não fazem parte do conhecido. Estará totalmente
livre para ver. |
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