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É no clima de desenvolvimento econômico, social e político dos anos 50 que o concretismo surge no Brasil. O Grupo Ruptura, formado inicialmente por Waldemar Cordeiro, Luiz Sacilotto, Geraldo de Barros, Lothar Charoux, Anatol Wladyslaw, Kazmer Féjer e Leopoldo Haar, foi sem dúvida um dos movimentos mais importantes da arte brasileira, atuando sincronicamente com a arte internacional e criando uma projeção como nunca acontecera. Há exatamente 50 anos, em 9 de dezembro de 1952, durante a exposição Ruptura, realizada no Museu de Arte Moderna de São Paulo, o grupo lançou o manifesto Ruptura, que afirmava: "A obra de arte não contém uma idéia, é ela mesma uma idéia". Com o manifesto, se difundiu uma estética determinada pela não-figuração, objetividade, rigidez matemática e clareza de formas. Ele provocou discussões e discordâncias, mas se impôs e sobreviveu como a manifestação mais marcante da arte brasileira.
Santo André, cidade tipicamente industrial já nos anos 50, nos presenteou com Luiz Sacilotto, "a viga mestra da arte concreta". O artista, que nos apresenta um impecável percurso iconográfico, sempre teve forte ligação com a cidade e com a produção industrial. Em relação à arte concreta, Sacilotto afirma que "sua importância pode ser evidenciada através da grande influência que exerceu e ainda exerce entre nós, em diversos setores das artes, entre os quais se situam o desenho industrial e as artes gráficas".
Percebendo esta importância, o fotógrafo Marcello Vitorino propõe uma visita a Santo André, também sua cidade natal, e por meio de suas "anotações fotográficas" nos mostra como os conceitos concretistas de cheio/vazio, branco/preto, positivo/negativo, luz/sombra levam às questões de espaço e tempo, revelando uma nova dimensão urbana.
O fotógrafo propõe refletir, com a presença do léxico concretista, sobre o processo mental que o artista vive na criação de um mundo. "Pintar: produzir um mundo e não reproduzir a imagem do mundo", conforme as palavras de Michel Ribon. Em Concrecidade, Vitorino mostra a aplicação da arte concreta, mas sem buscar ser um de seus seguidores. Reverencia o Manifesto Ruptura e o homenageia, mantendo ao mesmo tempo a coerência com sua construção artística e sua identidade de iconógrafo contemporâneo. tem volta, e você pode não gostar do que encontrou por lá.

Paula Caetano
Mestra em Artes Visuais e coordenadora da Casa do Olhar de Santo André - SP


 
   
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