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OLHANDO
PARA O CEU DE CADA UM
Eu tinha a maior curiosidade em conhecer a Lapa do Bom Jesus. Seu Pedro pedia para me levar. Meus pais eram ("crentes") Batista não permitiam. Nunca esqueci os benditos, o som do conversório , o pipocar dos foguetes, a buzina , o ronco do velho motor do GMC e da voz estridente de seu Pedro avisando a hora da partida Vinte cinco anos (1981) depois já metido a fotografo , não morava mais em Rui Barbosa, o caminhão GMC já não existia, seu Pedro encantado, agora levava romeiros para o céu, fui finalmente conhecer a Lapa do Bom Jesus. Fora de época, gruta vazia, o Bom Jesus crucificado, o silêncios da solidão dos deuses na grande Lapa da Pedra da beira do Rio São Francisco. Em mim a lembrança da festa da rua da minha infância. Assim começou a grande paixão pelo longo e encantado caminho da religiosidade do povo da Bahia que confunde e funde com beleza e graça a cultura religiosa e de costumes de três continentes. Europa com o cristianismo coloniza-dor, a África com o Panteão dos Orixás e a América com a cultura indígena. O que me encanta é a forma como cada devoto ( não importa a religião ) materializa o seu sentimento em relação ao sagrado. Assim foi nas festas de largo de Salvador, na romaria do Bom Jesus da Lapa, no Monte Santo, nas caatingas do Beato Pedro Batista e na nobreza da Irmandade da Boa Morte de Cachoeira. Esse é o caminho que me levou ao céu de Seu Antônio Romeiro e ao Reino encantado de Aoiká de Dona Filinha de Iemanja.
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Reproduzido com permissão |
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